domingo, 7 de abril de 2013

Em Memória da Nádia


“Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita. Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória” (Salmo 73:23-24).
           
            Juarene, Selma, Liana e Marina,

            Saudações em Nome do Nosso Senhor Jesus Cristo.

            Com profundo pesar lhes escrevo estas palavras, limitado pela tristeza e pela cruel distância que nos separa. Deus sabe o quanto gostaria de estar junto de vocês nesse momento, para comunicar com a presença aquilo que as palavras não conseguem. Mas na comunhão do Espírito Santo compartilhamos com vocês o fardo que comprime os vossos corações, e nos unimos nas orações e nas lágrimas.

            A inesperada partida da Nádia nos deixa completamente descompensados, e se não fosse pela Palavra de Deus, a comunhão dos santos e a consolação do Espírito Santo o desespero certamente nos consumiria. Mas nós temos uma viva e certa esperança, não estamos sós, nem precisamos tentar encontrar respostas que somente se acham nos eternos propósitos de Deus. Deus nos deu a vida, Deus nos mantém ao longo da vida, Deus nos chama para a verdadeira vida. Ele somente sabe o quê e o porquê. Seu plano eterno dá conta de todas as coisas, e no Seu livro estão escritos os dias de todos nós.

            Quando a dor dilacerante cruza o nosso caminho, somos tentados a perguntar “Onde está Deus? Por que não nos poupou desse sofrimento?”.  A resposta está no versículo acima: Deus está sempre com os seus servos. Ele nos leva pela Sua mão, Ele nos guia com o Seu conselho e depois nos recebe na glória. Quando o Senhor nos chama para a glória, Ele está completando o ciclo de bem-aventurança planejada para seus servos. A Nádia está na glória. Nesse momento ela está desfrutando da experiência de ver o Senhor face a face. Sua fé foi consumada, sua esperança completa.

Hoje pela manhã na minha leitura bíblica encontrei uma expressão maravilhosa no livro do profeta Isaías. Falando da beleza e glória do futuro Reino de Cristo, o profeta declara que alguns estão inscritos para a vida (4:2-4). Aqueles que conhecem ao Senhor e colocam sua fé em Cristo como Senhor e Salvador, os que crêem no sacrifício da cruz do calvário como pagamento pelas suas dívidas, os que se apoiam no poder da ressurreição de Cristo, tem os seus nomes inscritos no Livro da Vida do Cordeiro (Apocalipse 21:27). Deus em Sua infinita misericórdia revelou Seu filho à Nádia, ela creu em Cristo e por isso seu nome está entre os inscritos para a vida. Nádia não foi vencida pela morte, mas pela fé em Cristo triunfantemente foi recebida vitoriosa na vida.

Juarene, Selma, Liana e Marina, nesse momento, enquanto as lágrimas encobrem os olhos e uma espessa nuvem de tristeza envolve o coração, é difícil olhar adiante. Por experiência própria eu sei que é difícil. As perguntas são muitas... Será que vamos conseguir superar?  O que fazer com o vazio?  Por onde recomeçar a vida? Meus amigos, posso lhes garantir que para essas e outras perguntas que ainda virão só existe uma resposta: olhem para cima. Olhem para Deus por meio da criação, por meio da Sua Palavra, por meio da adoração, por meio da comunhão. O nosso Deus é o Deus de toda consolação. Ele nos ergue quando estamos fracos e nos levanta quando estamos submergindo. Jesus, o nosso Emanuel, é o Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz. O Senhor faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. A morte não tem a palavra final, pois Cristo ressuscitou, por isso, mesmo tristes, não somos consumidos, pois no Senhor temos esperança.

            Pela fé em Cristo Nádia está na casa do Pai. Pela fé em Cristo nós em breve estaremos juntos com ela. O apóstolo Paulo diz que estar com Cristo é incomparavelmente melhor. Essa é a condição da Nádia agora livre de tristeza, dor e lágrimas, vivendo onde não há trevas, nem luto, nem pranto (Ap. 21:4). Sentiremos sua falta? Certamente, mas não como os que não tem esperança. Não estamos eternamente separados. Dentro de pouco tempo estaremos juntos novamente, para sempre com o Senhor (I Tes. 4.17).

            A jovem bonita agora está mais bela, a jovem inteligente agora conhece muito mais, a jovem esperançosa  agora está realizada... para sempre com o Senhor!

            “Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Salmo 73:26).

            Juarene, busque ao Senhor... Ele é o caminho, a Verdade e a Vida... Ele é a ressurreição e a vida.

            Selma, confie no Senhor... Ele é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Nosso Pai Celeste entende a dor da separação de um Filho.

            Liana, descanse no Senhor... Ele age em todas as coisa para o bem daqueles que O amam.

            Marina, espere no Senhor... Ele não nos abandonará.

           
Sentindo a vossa dor e compartilhando da vossa esperança,

Pr. Jenuan, Aline, Jeninho e Vitória. 

quinta-feira, 28 de março de 2013

A ALEGRE PARTIDA


“Jesus está aqui no meu quarto. Ele veio me buscar“. Com essas palavras a mulher cruzou os portais da morte. A família pobre havia peregrinado por todos os hospitais públicos da região. Mas o câncer se alastrou muito rápido. Os médicos não tinham mais recurso, a não ser recomendar seu retorno para casa para morrer ao lado da família. Ela morreu depois de alguns dias. Mas partiu com Cristo.

            A hora da morte é o momento crucial da vida. Nesse instante crucial, Deus nos faz ver o nosso destino, mesmo antes de partirmos completamente. Ele faz com que o invisível se encontra com o visível. Por isso alguns morrem em agonias, enquanto outros morrem em perfeita paz.

            Entre os que morrem e são levados para a presença de Deus, e os que partem sem esperança há uma enorme diferença. O poderoso ditador Hugo Chaves partiu em agonia, tentando se agarrar à vida, a fim de vencer a força da morte.  O humilde missionário Jerry Leonard, que serviu por muitos anos na região do Cariri, partiu em perfeita paz. Por alguns dias ele estava em estado de coma. Mas no momento da sua partida ele começou a falar. Era como se estivesse entrando em lugar alegre, onde amigos o aguardavam para lhe dar as boas vindas. A esposa ouviu os nomes de alguns, e ouviu quando ele falou acerca dela: “Ela virá depois“. Pouco depois voltou o silêncio. O servos de Cristo tinha chegado à casa do Pai.

            Não importa quem você foi, onde morou, quanto dinheiro conseguiu acumular. Não interessa se foi governante de uma nação ou um sábio segundo o mundo. Não faz diferença se conseguiu marcar a história com grandes feitos... que serão esquecido... Alguém sabe quem foi Washington Soares? Deve ter sido alguém importante, pois uma importante avenida em Fortaleza recebeu seu nome... mas quem foi mesmo esse homem? Curiosamente, parece que nem a Wikipédia o conhece. O Google traz informações sobre a avenida, mas nada sobre o homem. Com o tempo o nome superou o homem, e assim é o caso com todos os homens. Um dia tudo isso terá que ficar, e você vai partir do jeito que chegou ao mundo. A grande questão é: partir para onde? Será uma alegre partida ou uma triste partida? No caso da senhora pobre que foi levada por Cristo há um detalhe interessante. No mesmo dia que ela partiu, morreu também uma mulher muito rica. Mas  esta teve uma morte horrível, em tremendas e assustadoras agonias.  Na hora da morte é que conhecemos a verdadeira riqueza.

            A Bíblia relata como foi a partida de Estêvão, o primeiro mártir da Igreja. No limiar da porta eterna ele falou: “Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus” (Atos 7:56). Neste caso, o detalhe especial é a posição do Filho de Deus. Ele se está em pé a fim de recepcionar Seu servo.

            Salomão nos impressiona quando diz: “... melhor é o dia da morte, do que o dia do nascimento...”(Ecl. 7:1). Não parece estranho? É estranho, mas é verdade. O dia do nascimento é o marco inicial de uma caminhada temporária. O dia da morte é a passagem para o estado eterno. Por isso é melhor pensar e pesar  como será esse dia.   

            Se fôssemos mais sábios viveríamos sempre considerando a proximidade do dia final. Mas infelizmente este não é o caso. Nem mesmo entre os crentes em Jesus Cristo. Esquecemos que estamos nos aproximando do nosso encontro com Cristo, e por isso ficamos correndo em busca dos bens materiais, trabalhando em vão para ajuntar tesouros na terra. Nosso reino é mais importante do que o Reino de Deus. Investimos todo tempo da vida no alvo de acumular riquezas, sem saber sequer se poderemos desfrutar delas. Desprezamos as bênçãos espirituais, porque tudo que nos interessa são as coisas materiais. Quando foi a última vez que você resolveu perder algumas horas de sono para servir a Cristo, auxiliando um irmão necessitado, orando pela obra missionária, pensando e planejando meios para alcançar os perdidos?  O que tem valor eterno não atrai o nosso coração, e isso é uma grande perda.

            Não sabemos quando, mas sabemos que breve partiremos. No seu caso, será uma alegre partida?

            A serviço do Mestre,

            Pr. Jenuan Lira.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Tempo para Deus


Há coisas que só se aprende com o passar do tempo. Aprender a contar o tempo é uma delas. Ocorre, então, que, se para aprender a contar o tempo precisamos da passagem do tempo, na realidade quando iniciarmos a medição do tempo, muito tempo já terá se passado. O tempo não perde tempo, ele é o preço de si mesmo.
            No salmo 90, Moisés ora ao Senhor enquanto compara a eternidade de Deus, Sua atemporalidade, com a transitoriedade do homem. Aqui, o Moisés que fala já tem muitos anos de estrada. Não é o jovem vigoroso que feriu o egípcio aos 40 anos. Muitas águas rolaram e ele já vê o fim da linha, restando-lhe apenas “canseira e enfado”. Nesse momento, consciente de que o tempo não pára, mas prossegue na sua corrida sem volta, pede ao Senhor: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio”. Contar o tempo antes que já não haja tempo nenhum, eis o segredo da sabedoria.
            Em Eclesiastes 3, Salomão diz que “há tempo para todo propósito debaixo do sol”. Mas a dificuldade é definir “debaixo do sol” o propósito em que se vai empregar o tempo. Salomão mesmo sofreu por não saber fazer bom uso do tempo durante um período longo da sua breve vida. Especialmente na sua juventude ele deixa o tempo por conta, e como disse o poeta: “como dar em tempo tanta conta, eu que sem conta gastei tanto tempo”?
            Nos dias da mocidade tudo é uma festa. Corremos pela vida despreocupados, pois ainda há muito chão. Pouco atentamos para o fato de que  “tudo passa rapidamente e nós voamos”. E assim, desavisadamente deixamos de investir esse belo tempo de mocidade naquilo que vale a pena. Salomão se preocupou com isso e deixou um testemunho a fim de avisar aos jovens para não caírem na ilusão de pensar que na juventude não se precisa contar o tempo. Lembra-te do teu Criador, nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias... Foi o brado final do sábio no último capítulo de Eclesiastes. Por quê? Porque dentro de pouco tempo o tempo terá passado, então se romperá o fio de prata da vida, e se despedaçará o copo de ouro, o pó voltará à terra, e o espírito voltará a Deus que o deu. Então, só então, você saberá se a vida valeu à pena.
            Perceber tarde que não há mais tempo é a terrível angústia de todo aquele que não teve tempo para Deus. Foi o caso de Cassimiro de Abreu, poeta da segunda geração do Romantismo brasileiro. Entediado com o vazio da vida, sem querer encontrar em Deus a saída para sua angústia existencial, o jovem Cassimiro entregou-se aos prazeres do mundo, a exemplo de Salomão. Querendo fugir dos problemas em casa, bolou um plano para enganar seu pai, a fim de receber ajuda para ir para Lisboa. Livre, encantou-se com o mundo intelectual boêmio, vindo a contrair tuberculose aos 17 anos.
            Sozinho, doente, ele sentiu saudades da sua pátria. E mesmo sem ter se preocupado em buscar a Deus nos dias da mocidade, ele pede ao Senhor que lhe conceda mais alguns anos. Na sua Canção do Exílio ele chora... “Se eu tenho de morrer na flor dos anos / Meu Deus! Não seja já... Meu Deus, eu sinto e tu bem vês que eu morro / Respirando este ar; /
Faz que eu viva, Senhor! Dá-me de novo / Os gozos do meu lar
!
            Infelizmente não havia mais tempo. Tempo perdido é vida perdida. Cassimiro morreu aos 21 anos, mas não sem deixar registrada sua dor pelo tempo que não podia reviver. Em Meus Oito Anos, provavelmente sua poesia mais conhecida, ele declama em profunda melancolia a saudade de tempos que não voltam mais – “ Oh ! Que saudades que tenho / Da aurora da minha vida, / Da minha infância querida / Que os anos não trazem mais”!
            Deus não vive no tempo, mas Ele criou o tempo para que vivamos nele. Ter tempo para Deus é simplesmente dedicar a Deus cada minuto da vida, contando os dias para a glória de Deus. Não há melhor maneira de aproveitar o tempo.
                               
            A serviço do Mestre,
            Pr. Jenuan Lira.         

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

EM DEFESA DA PÁTRIA


 “Não me fale em Brasil. Quase morri quando retornei depois de uma visita”. 


Foram essas as palavras de um pastor americano dirigidas a um irmão brasileiro que quis saber sobre sua estada em nosso país. Foi difícil ouvir essas palavras sem ficar chateado. Primeiro, porque eu fui um dos responsáveis pela vinda daquele pastor ao Brasil; segundo, quando esteve entre nós, ele mesmo pediu para pregar várias noites seguidas, em diferentes igrejas, e parecia satisfeito em cada oportunidade; terceiro, e mais importante, não gosto de ouvir ninguém falando mal do Brasil, especialmente se não for brasileiro. Instintivamente reajo em defesa da minha “pátria amada, Brasil”.
            Embora o patriotismo possa ser exagerado, na medida certa é bom e natural. Nossa identidade está diretamente ligada ao nosso lugar de origem. Por isso ninguém fica satisfeito ao ouvir um estrangeiro falando mal da sua terra.
            Meditando sobre o episódio, me veio à mente um fato muitas vezes esquecido: a pátria dos filhos de Deus não se localiza geograficamente neste mundo. Nossa morada está sendo preparada por Cristo na casa do Pai. Pedro diz que somos “estrangeiros e peregrinos” neste mundo. Nossa verdadeira pátria é definida não pelo nascimento natural, mas pelo espiritual.
            O problema é que a realidade espiritual parece muito distante dos nossos olhos, e por isso firmamos nossa identidade a partir do nosso país de origem. Essa visão limitada e naturalista é raiz dos grandes problemas que enfrentamos na vida. Se não podemos nos identificar como cidadão dos céus, também não podemos aceitar os planos do Senhor dos Céus.
            Talvez você já ficou assustado com algumas expressões fortes dos salmistas em relação aos inimigos de Deus. Por exemplo, no Salmo 139:21-22 lemos: “Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem? Não abomino os que contra ti se levantam? Aborreço-os com ódio consumado. Para mim são inimigos de fato”. Esse tipo de reação mostra que o salmista levava a sério a pessoa de Deus. A inimizade do mundo contra Deus lhe causa verdadeiro pavor, pois para ele Deus não era um mito, mas um Deus real, pessoal e presente. 
            Nosso problema é identificado por Paulo em Romanos 1, onde Paulo nos mostra que colocamos as coisas criadas no  lugar do Criador. O que realmente nos interessa são nossos desejos, nossos sonhos, nossa casa e nossa terra.  Quanto ao reino de Deus, não descartamos de todo, mas nos contentamos em tê-lo apenas como um reino de fantasia.
            Gosto do Brasil, mas amo mesmo a Pátria Celeste. Ali, sim, é o meu lugar, meu destino final, meu porto seguro... o meu país. Por ele vivo e para ele sigo. Existe um melhor destino?
            A serviço do Mestre,
            Pr. Jenuan Lira.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

COMO TER O MELHOR CARNAVAL DA SUA VIDA


De novo fevereiro! E como diz a velha canção, “em fevereiro tem carnaval”. Chega rápido e se acaba rápido. Por isso, é bom fazer planos para aproveitá-lo, antes que restem apenas as cinzas da lembrança.
Cada um tem direito a fazer seus próprios planos, mas nunca é demais ouvir outra opinião. Aqui seguem dicas diferentes para fazer deste o carnaval da sua vida. Se forem seguidas, tenho certeza que se repetirão se houverem outros carnavais.

 1.    Procure entender o sentido do carnaval.

Parece básico, mas o sentido das coisas é indispensável para que delas se tire o maior proveito. Carnaval não é uma série de coisas. Não é data histórica, nem cívica, nem religiosa. Nem a etimologia do nome ajuda a dar uma razão objetiva para a festa. Mas carnaval é uma porção de coisas: barulho, desrespeito, embriaguez, ressaca, violência, sensualidade, prostituição, drogas, acidentes, morte. É o que nos dizem as autoridades e os médicos de plantão. E o elemento cultural brasileiro? Nesse sentido, sendo bem verdadeiros, no muito se pode resgatar uma sombra opaca da nossa brasilidade, embora essa seja daquelas heranças culturais que se não tivesse sido ligada à nossa etnia, seríamos uma nação muito melhor. Na realidade, o que mantém o  carnaval vivo é a natureza humana. Ou melhor, a propensão natural à rebeldia que tão bem nos caracteriza. Se o prazer ilusório da transgressão não fosse tão  patente na alma humana, o carnaval sequer teria tido início. O carnaval é a liberação da carne. Mas Deus diz: “quem semeia para a carne, da carne colherá corrupção” (Gl. 6:8).

2.    Afaste-se um pouco da agitação e tenha um tempo a sós.

Isso seria absolutamente diferente nesta época. E nestes momentos de quietude procure falar com Deus.  Como se faz isso? Entre no seu quarto ou saia para um lugar tranqüilo e abra o seu coração. Converse com Deus como se fala com um amigo atencioso e afável. Faça perguntas profundas, peça conselho, compartilhe alegria ou tristezas. Peça livramento dos perigos do carnaval, pois muitos não voltarão para sua casa, infelizmente. Parece estranho? Concordo! Deus e o carnaval são como água e óleo. No entanto, o Deus que  se entristece com o carnaval, alegra-se com o carnavalesco que o busca. Pois Ele diz: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Que o ímpio abandone o seu caminho, e o homem mau, os seus pensamentos. Volte-se ele para o Senhor, que terá misericórdia dele; volte-se para o nosso Deus, pois Ele dá de bom grado o seu perdão” (Is. 55:6-7)

 3.    Antes de cair na folia, leia pelo menos um capítulo da Bíblia

Essa idéia é radical. Poucas pessoas fazem isso no carnaval. Talvez você nunca tenha feito. Um capítulo não vai tomar muito tempo, nem modificar sua agenda. Existem bíblias bem pequenas que cabem na sua bolsa de viagem tranquilamente. Minha sugestão é que você leia no livro de Provérbios. Fica logo após os Salmos, mais ou menos no meio da Bíblia. Provérbios é uma dose de sabedoria divina para sua alma. Dentre todas as doses desse carnaval, essa será a melhor. A Bíblia mesmo diz: “Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra, e luz para os meus caminhos” (Sl. 119:105).

4.    Decida não beber durante esses dias

 Pode ser difícil, mas se seguir as dicas acima será mais fácil enfrentar a tentação. As pessoas podem não entender e passar a criticá-lo. Mas Deus entende perfeitamente. No final você terá aproveitado melhor o feriado, voltará disposto para seu trabalho, terá fugido de perigos e de algumas atitudes, palavras ou ações que depois causarão culpa, vergonha e dor. Quer um conselho dos céus? Aqui está: “Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito” (Ef. 5:18).

Com essas dicas você terá o melhor carnaval da sua vida. Faça o teste! A única coisa que você poderá perder será o próprio carnaval, que seria um enorme ganho!

A serviço do Mestre,

Pr. Jenuan Lira.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

SATISFAÇÃO EM DEUS



“Tu me farás conhecer a vereda da vida; na tua presença há plenitude de alegria; 
à tua mão direita há delícias perpetuamente” (Sl. 16.11).

            Diz o provérbio popular que a medida do ter nunca enche. Quem não tem gostaria de ter, e quem tem queria ter um pouco mais. Em outras palavras, nunca estamos satisfeitos com o que alcançamos, e por isso achamos difícil obedecer a Deus quando Sua Palavra diz: “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (I Ts. 5.18).
            Há poucos dias percebi de maneira muito prática por que o desejo pela abundância material é enganoso. Foi pela comparação entre meu tempo de seminarista no antigo Seminário do Cariri e esses primeiros dias como aluno em Los Angeles. Posso garantir que entre as duas situações têm algumas ‘pequenas diferenças’, e muitas lições a ser aprendidas.
            Uma vez instalado no nosso apartamento, antes da família chegar, fui ao supermercado, em busca de coisas prontas, o que não é difícil por aqui. Na seção dos sucos, peguei dois tipos: maçã e laranja. Ambos são excelentes, só tem um problema: são muito grandes. Na verdade, aqui não nada pequeno. Mas não é bom que o suco seja grande? Por um lado, sim. Por outro, não. No meu caso, o tamanho do suco não foi garantia de satisfação. 
            Depois vários copos de suco de laranja, e vendo que ainda estava longe de esvaziar a caixa, notei que algo tinha mudado em relação ao suco. E foi fácil perceber que o sabor não tinha mudado, mas minha atitude, sim. Dentro de mim, pensei: por que eles fazem isso? Melhor seria se essa caixa fosse menor.
Envolto nas minhas “reflexões lanranjais”, voltei no tempo uns vinte e seis anos e lembrei minha época de aluno no velho seminário. Às vezes, e não eram muitas, a gente passava pela feira, e comprava algumas laranjas. Guardava no quarto, pois na geladeira comunitária havia um buraco negro que fazia sumir as coisas. Perto da meia-noite, na hora do lanche, os que tinham feito a “cota da laranja” espremiam com muito cuidado cada uma, tentado extrair cada gota que fosse possível. Pode ter certeza de que não ficava nada. E quando não enchia um copo, a gente colocava um pouco de água, e saboreava com alegria, pois suco de laranja no lanche da noite era um luxo. Ali o nosso dilema não era pela fartura, mas pela escassez. A gente agradecia, certamente, mas pensávamos que se tivéssemos mais suco seria melhor.
            Assim é na vida toda: nosso problema não é a falta ou a abundância material, mas a insatisfação no coração que somente a presença de Deus pode nos dar. Ter ou não ter não é a questão. O que nos falta realmente é satisfação. No final das contas, ninguém busca a riqueza pela riqueza, mas por achar que tendo um pouco mais estará satisfeito. Ninguém busca amizade pela amizade, mas por achar que um bom amigo vai nos dar satisfação. O que queremos mesmo é satisfazer os anseios do nosso coração. E neste caso só há uma solução: “... na tua presença há plenitude de alegria; à tua mão direita há delícias perpetuamente”. Quando o Senhor é a fonte da nossa alegria podemos cantar...
“Não olho as circunstâncias, não, não, não,
Olho seu amor, seu grande amor,
Não me guio por vistas,
Alegre estou!”
            Que o Senhor seja nossa alegria perpetuamente!
            A serviço do Mestre,
            Pr. Jenuan Lira.