quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

VIVENDO A BENDITA ESPERANÇA

Conforme Salomão, ‘’A esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é arvore de vida’’ (Pv. 13:12). É verdade. Os Tessalonicenses eram prova viva. Em dado momento sentiram que se perdia sua maior esperança. Suas almas desmaiavam.
Entre outras características, a igreja de Tessalônica era movida por uma maravilhosa esperança: a bendita esperança do encontro com Cristo nos ares. Por isso, o tema da volta de Cristo era muito precioso para eles. Tanto a primeira, quanto a segunda epístola abordam enfaticamente doutrina das últimas coisas. A igreja vivia sob terríveis provas, mas a expectativa da iminente volta de Cristo e do arrebatamento da Igreja era o alento diante das perdas temporárias. Quando o preço do discipulado se traduz em sofrimento, uma escatologia sadia é bálsamo para alma. Estar com Cristo passar a ser visto como realmente melhor.
Dessa forma, depois de dar instruções quanto à pureza, ao amor e a necessidade de um comportamento digno perante os incrédulos, Paulo corrige alguns enganos relativos à volta de Cristo e a ressurreição dos santos.
Ansiosos por encontrar Jesus nas nuvens, os tessalonicenses começaram a desanimar ao ver alguns irmãos morrendo. Eles esperavam Jesus, não a morte. Por isso, caíram em desânimo por achar que os crentes que tinham morrido haviam perdido o privilégio de subir triunfantemente com todos os santos para o encontro com Jesus nos ares. E tal foi o impacto desse pensamento, que a igreja sentiu-se triste como aquele que não tinham esperança além da morte.
Paulo exorta, lembrando-lhes o fundamento da nossa esperança: a certeza da morte e ressurreição do Senhor. Essa certeza é que nos garante que Cristo trará em Sua companhia os que morreram crendo nEle. Nada pode ser mais certo do que a ressurreição do crente antes do arrebatamento da Igreja.
Aproveitando a oportunidade, Paulo, falando por ‘’palavras do Senhor’’, prossegue dando a ordem da ressurreição. Ele afirma a prioridade dos que dormiram em Cristo quando da vinda do Senhor. Os salvos que tiverem o privilégio de encontrar-se com Cristo sem passar pela morte, de modo algum precederão os que dormiram.
E como será esse grande evento? Jesus, o Rei do universo com que tudo se execute de acordo com ‘’Sua palavra de ordem’’ . Tal palavra é o brado glorioso do Divino General, que tem às Suas ordens todo o exército dos céus. Conforme Seu comando, as hostes angelicais anunciarão triunfantemente a hora da Sua vinda, quando os crentes mortos receberão novos corpos.
A esse movimento inicial de ressurreição, seguir-se-á o arrebatamento do conjunto total dos salvos: os vivos transformados e os mortos ressuscitados. Alegre e gloriosamente, juntos subindo para o encontro com o Senhor nas nuvens. E desse estado de gozo jamais sairão.
Dando essa instrução, Paulo espera que os Tessalonicenses e os crentes de todas as eras se consolem quando tiverem que enfrentar a morte de um irmão em Cristo. Para s maior dor, o maior consolo. Nada pode nos deter. Cristo venceu a morte, nós venceremos também.
Através dos séculos, as pessoas sofrem e se apavoram diante da possibilidade da morte. È a certeza que todos querem negar, pois morrer é contrário à natureza. É compreensível que o vale da sombra da morte angustie os que não te esperança. Uma vez tendo cruzado as fronteiras dessa vida, entre-se no estado eterno. E isso acontece de uma vez por todas (Hb 9:27).

È profundamente doloroso ler nas faixas fúnebres e nas lápides no cemitério: saudades eternas dos familiares e amigos. Saudade temporária machuca muito. Saudades eternas são insuportáveis. Mas o crente em Cristo não deixa saudades eternas para os seus

CONSELHOS A UM FILHO AMADO

Querido filho, Jeninho, é uma grande alegria poder chegar a esse ponto da sua vida quando você atinge a maturidade e está pronto para andar com seus próprios pés.

           
Assim é a vida. Nascemos, crescemos, aprendemos e colocamos os nossos pés na estrada da vida. Eu e sua mãe passamos por esse ciclo anos atrás. Nossos pais tiveram que nos soltar para seguir o nosso próprio caminho, e agora chegou a nossa vez de soltá-lo também. Chegamos a esse ponto divididos entre a alegria de vê-lo crescer e a tristeza de vê-lo partir. Mas o processo não pode parar, e você deve seguir levando consigo um pouco de nós, enquanto trilha seu próprio caminho e vai imprimindo também a sua própria marca na descendência que o Senhor lhe dará.

            Cruzando a linha da maturidade, eu sei que nosso relacionamento também muda. É certo que continuaremos próximos por mais alguns poucos anos, talvez vivendo dentro da mesma casa, mas mais e mais a minha posição de pai na sua vida vai passando por mudanças. Daqui por diante, o eixo da nossa convivência desloca-se mais do campo da obediência para o campo da influência. Estamos em um ponto em que não mais vou guiá-lo pela mão, como tantas vezes fiz no passado. Espero desfrutar ainda do prazer de guiá-lo, mas agora pelo exemplo, pela amizade e pelo conselho.

 Portanto, os conselhos que agora estou lhe oferecendo já são dados com o alvo de influenciar sua vida. Não são novos conselhos, pois ao longo desses anos você ouviu a mim e a sua mãe repetir esses conselhos repetidas vezes. Por outro lado, são novos por causa da ocasião, visto que em os transmitimos no momento em que você dá um passo além, rumo à maturidade. Receba-os portanto como uma manifestação do nossos desejo de continuar presentes em sua vida,  influenciando-o para seguir sempre nos caminhos do Senhor.
                       
Os conselhos que trago não são meus, mas são do próprio Deus. Alguns desses conselhos eu também ouvi dos meus pais, e tenho ouvido diretamente da Palavra à medida que estudo, ensino e prego as Escrituras.

Tenho 18 textos bíblicos, dos quais quero retirar 18 conselhos que espero formarem os pilares de toda sua vida:

Conselho 1: “Filho, guarde o seu coração exclusivamente para adorar ao Deus Trino das Sagradas Escrituras. Nunca permita que qualquer coisa ou pessoa tomem o lugar especial do Senhor no trono do seu coração. Meu filho, fuja dos ídolos” (Êx. 20:3).

Conselho 2: “Filho, faço minhas as palavras de Davi, enquanto preparava seu filho Salomão para assumir o trono: “sirva o Deus de seu pai com coração íntegro e alma voluntária. Como você sabe, tanto eu quanto sua mãe, cedo na juventude decidimos dedicar nossas vidas para o serviço do Senhor, e nunca nos arrependemos por um só momento.”( 1 Cr. 28.9)

Conselho 3: “Filho, descanse na promessa de que o Senhor é o seu pastor. Estando sob o cuidado de Cristo, até o que porventura venha a faltar, não lhe fará falta.”( Sl. 23:1)

Conselho 4: “Jeninho, tenha no Senhor o motivo da sua alegria. Que o conhecimento de Deus seja a sua glória, e a comunhão com o Todo-poderoso a razão da sua alegria. Se você desejar o Senhor, o seu coração estará sempre cheio de satisfação.” (Sl. Salmo 37:4-5)

Conselho 5:  “Filho, lembre-se de tudo que lhe ensinamos em casa. Continue firme e resista sempre à sedução dos pecadores e aos encantos desse mundo mal. O prazer do pecado e a alegria do mundo são mera ilusão.”( Pr. 1:8)

Conselho 6: “Filho, se você for sábio alegrará o nosso coração. Por isso, apelamos a que busque a sabedoria como a tesouros escondidos, e receba a inteligência que vem da boca do Senhor. Mas lembre-se que em Cristo encontram-se todos os tesouros da sabedoria. Conheça a Cristo e você será um homem sábio.”( Pr. 2:6)

Conselho 7: “Filho, fique sempre vigilante, a fim de não ser iludido pelo engano da mulher adúltera. Quando o Senhor lhe der a sua auxiliadora idônea, faça o compromisso de não declinar nem para a direita, nem para a esquerda. Não seja simples, não seja tolo, não se deixe enredar pela loucura da paixão pecaminosa. Desde já, desenvolva o caráter de um homem fiel, mantenha-se puro, e o Senhor  lhe honrará com uma esposa que será um presente de Deus para sua vida (Pr. 18:22). E quando chegar esse momento, ame-a como tenho amado a sua mãe e trate-a como uma joia rara.” (Pr. 4:23)

Conselho 8: “Filho, a vida é cheia de angústias, mas nunca perca a esperança diante delas. Se você pensar em desistir é porque está confiando em sua própria força. Coloque em Deus sua esperança e você renovará sua forças.” (Pr. 24:10)

Conselho 9: “Não desperdice sua juventude. Decida usar seus anos de maior vigor para buscar ao Senhor de coração e servi-lo integralmente.”( Ec. 12:1)

Conselho 10:  “Filho, não tente preservar seu ego, isso lhe fará perder a vida. Leve a si mesmo para a cruz dia-a-dia a fim de que a vida de Cristo possa se manifestar em você.” (Lc. 14:27)

Conselho 11: “Meu filho, descanse na libertadora doutrina soberania de Deus. Lembre-se de que Ele mantém absoluto e constante controle sobre todas as coisas, circunstâncias e pessoas visando à Sua glória e o seu próprio bem.” (Rm. 8:28-30)

 Conselho 12: “Filho, apegue-se ao Evangelho e jamais se envergonhe dele. Volte-se para a cruz de Cristo onde Ele lhe amou a ponto de dar Sua vida por você. Alegre-se na cruz e regozije-se na ressurreição. Anuncie essa mensagem ao mundo.”( (I Cor. 15:3-5)

Conselho 13: “Filho, jamais esqueça as Sagradas Letras que lhe foram ensinadas desde a infância. Apegue-se às Escrituras, que podem lhe tornar sábio para a salvação, e apto para ser um homem de Deus maduro e equipado para toda boa obra. Como seu pai, coloque as Escrituras acima de você mesmo e esforce-se  para conhecê-la.” (II Tm. 3:14-17)

Conselho 14: “Filho, antes de qualquer coisa, você é um obreiro de Cristo. Independentemente do que você faça, sua primeira vocação é servir ao Senhor e mostra ao mundo quem é Deus. Faça isso de maneira tal que nunca tenha de que se envergonhar.” (II Tm. 2:15)

Conselho 15: “Filho, nunca deixe de transmitir a outros o ensino que eu lhe dei. Começando com a sua casa, procure expandir o alcance da verdade de Cristo para que esse corrente de ensino bíblico continue até a volta do Senhor.” (II Tm. 2:1-2)

Conselho 16: “Filho, zele por sua fé e aprende com aqueles que o Senhor tem colocado na seu caminho que servem como modelo. Mas não olhe tanto para os homens, pois esses podem se perder no caminho da vida. Olhe para Cristo, Ele é o Modelo Perfeito.” (He. 12:1-2)

Conselho 17:  “Filho, se você deseja alegrar o meu coração e o da sua mãe, se deseja que nos orgulhemos de você, não coloque seu coração em outra coisa, senão em seguir a Verdade. Nenhuma conquista na vida valerá à pena, se você não estiver andando nos caminhos do Senhor.” (III Jo. 4)

Conselho 18: “Filho,  aguarde e apresse a vinda do Senhor. Viva o hoje como se Cristo voltasse amanhã. Almeje sua pátria celeste e prepare-se para ser saudado por Cristo como um servo bom e fiel.” (Ap. 1:8)

A serviço do Mestre,

Pr. Jenuan Lira.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

LUCAS E INÁCIO

O ornato dos jovens é a sua força...” (Pr. 20:29)


            As maravilhas de Deus estão diante dos nossos olhos, mas nem sempre as percebemos. Dois jovens deixam “sua terra, sua parentela e ‘as férias’ na casa de seus pais e seguem”  para uma terra que Deus lhes vai mostrar. Um pequeno passo com enorme significado para nós.

   Quando Inácio e Lucas embarcaram rumo a Cabo Verde uma história maior do que a mera viagem começou a ser escrita. Como em outras ocasiões, uma vez mais Deus usa a nossa Igreja para abrir  um caminho estabelecer um modelo. Essa viagem se constitui num exemplo admirável e digno de ser seguido. 

Enquanto nos alegramos com os nossos jovens cruzando fronteiras, devemos lembrar que muito antes de nós, o Senhor da Seara tem movido jovens para missões. A força da juventude há muito tem sido empregada a bem da obra missionária.  Os jovens sempre deram e dão exemplo de bravura e coragem de assumir riscos. Enquanto os adultos impõem variadas condições para abraçar a causa, e ficam calculando os riscos através do seu espírito “prudente”, os jovens partem sem levantar grandes questões.  Foi essa coragem que fez o jovem Davi avançar contra Golias, quando os experientes soldados temiam o desafio.

            Segundo o sábio Salomão “ Quem somente observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará” (Ec. 11:3). Inácio e Lucas seguiram o conselho, deixaram de ficar só olhando o vento e decidiram seguir sem colocar barreiras para a obediência. Para realizar essa viagem esses jovens precisaram enfrentar obstáculos e superá-los pela fé. Esse não foi um projeto barato, e os nossos irmãos não dispunham de recursos próprios para realizá-lo. Mas eles não desistiram por causa das limitações. Confiaram que Deus haveria de suprir e assim avançaram. O que eles fizeram foi simples: ao invés de murmurar e chorar diante do Atlântico, Lucas e Inácio resolveram molhar os pés, e o Senhor abriu as águas diante deles.
           
Lucas e Inácio formaram uma dupla interessante que nos deixam um legado de...
           
Luz e Inspiração,
            Luta e Instrução,
            Louvor e Inovação.

            Esses dois jovens abriram o caminho, cabe a nós saber se vamos aprender com esse exemplo.

            A serviço do Mestre,
            Pr. Jenuan Lira.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

HONRANDO HAROLDO REINER

A quem honra, honra” (Rm. 13:7)

           
Missionários são heróis da fé que se doam a fim de abençoar as nações com a maior de todas as bênçãos, a mensagem da salvação. Nunca podemos esquecer que nós somos fruto de missões. Por isso, nunca é demais honrar àqueles que um dia viram os nossos campos brancos e partiram destemidos a fim de semear em nosso coração a bendita semente. 
            Após a leitura gostosa do pequeno livro Um Voo para a Eternidade, senti-me obrigado a também prestar minha honra ao velho herói Haroldo Reiner, a quem tive o privilégio de conhecer e com quem convivi esporadicamente. Reconheço que a homenagem é tardia, visto que ele partiu para a glória em 2011. No entanto, sua ausência não silencia sua voz nem diminui a grandeza do trabalho que ele realizou de maneira tão exemplar. 
            Enquanto lia as pequenas histórias acerca desse missionário, reportei-me ao passado, repassando e revivendo dois episódios marcantes. No primeiro, eu tinha apenas treze anos e observei o diálogo entre Haroldo e meu pai, que estava iniciando seu ministério. Meu pai pastoreava a pequena igreja Batista de Senador Pompeu, onde Haroldo também havia trabalhado alguns anos antes. O ministério não ia muito bem, e meu pai, desanimado  encontrou-se com Haroldo na cidade de Iguatu, mais precisamente no Acampamento Batista. Depois dos calorosos cumprimentos iniciais, Haroldo perguntou:
Como vai a Igreja em Senador?
Mais ou menos”, respondeu meu pai, “temos tido pouca gente nos cultos de domingo”.
Sem pensar muito, Haroldo disse: “Lira, se Jesus voltar para buscar sua Igreja na segunda-feira quem vai subir, os salvos ou os que frequentam os cultos?
- “Somente os salvos”, respondeu meu pai imediatamente.
- “Então não se preocupe com quantas pessoas estão no culto
 Noutra ocasião, exatamente 21 anos depois do episódio acima, não era meu pai que precisava de conselho, mas eu próprio. Era um tempo de trevas, tristeza profunda e desânimo. Eu também era pastor, mas estava perdendo as esperanças de continuar no ministério, pois as provas eram além das minhas forças. Foi nessa ocasião que “casualmente” cruzei com Haroldo aqui em Fortaleza. Sabendo do meu desânimo, ele me chamou à parte e disse: “Quando eu tinha mais ou menos a sua idade minha esposa, que tinha 27 anos, contraiu um câncer fatal. Na ocasião eu não sabia o que fazer, mas meu sogro me confortou lembrando que Deus nunca erra e está no controle de tudo. Aquele conselho me reanimou a continuar. Portanto, não desanime. Continue.” Haroldo me repassou um conselho que ele recebera décadas antes, e trouxe alento à minha alma. Tanto que, hoje continuo lembrando as suas palavras.
Quando chegou ao Brasil em 1947, movido pelo testemunho de um missionário que passara em sua igreja, Haroldo não podia imaginar os desafios que teria pela frente. Mas ele não se intimidou, e procurou fazer tudo que estava ao seu alcance para mostrar o amor de Cristo em palavra e obras. Foi por causa desse amor ao Senhor que ele serviu como aviador, engenheiro, matemático, mecânico, agricultor, enfermeiro, timoneiro, etc. Se a coisa não existia, ele inventava, mas nunca permitia que as impossibilidades lhe impedissem de pregar o evangelho e mostrar misericórdia para centenas de pessoas vivendo no nosso sofrido Nordeste.
Um Voo para a Eternidade é um livro para ser lido de uma sentada, e fartar a alam com as história extraordinárias vivida por esse homem que “combateu o bom combate, completou a carreira e guardou a fé.” Leia você também e perceba o quanto é possível realizar nesta vida quando confiamos em Deus e no poder da Sua Palavra.

            A Serviço do Mestre,

            Pr. Jenuan Lira.

sábado, 28 de dezembro de 2013

ANO NOVO… SOBREVIVEREMOS!

“De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” 
(Hb. 13:5)

            Quando recebemos um novo ano sempre há aquela sensação de que somos sobreviventes de uma batalha. Às vezes pouco ameaçadora, outras vezes desesperadoras, mas sempre uma batalha.
            Enquanto escrevo este artigo, espero no aeroporto de Los Angeles por vencer a última grande batalha em termos de uma longa viagem. Dentre os desafios do ano, certamente um dos mais simples.
            Atar as duas pontas desse ano não é difícil, já que parece que fomos do início ao fim num piscar. Ao mesmo tempo, com tudo que vivemos, parece que uma eternidade se passou nesse pequeno lapso de tempo.  As lutas que agora são vencidas em certos pontos do ano eram gigantes a nossa frente, que foram vencidos, mas em batalhas ferrenhas que deixaram suas marcas e suas lições para o resto da vida. Para nossa família, a batalha de tentar sobreviver em outro país, agravada pela saudade dos amados que deixamos nos parecia invencível. Tudo era diferente. As coisas mais simples e, digamos automática, pareciam desafiadoras. Lembro a primeira tentativa de abastecer o carro (sem o luxo do frentista que faz os serviço para nós no Brasil). Não observei a posição do tanque, e parei do lado errado. Depois de alguns minutos tentando entender o auto-pagamento, descobri que a bomba não alcançaria o tanque do carro, e a fila atrás de mim já era considerável, assim como era a admiração dos outros motoristas com a minha dificuldade, os quais já se mostravam pouco satisfeitos com minha demora. Depois de muito malabarismo, com ajuda do caixa, escapei da confusão... Entrei no carro com um pensamento: sobrevivi!
              Sem dar atenção à sabedoria dos antigos, resolvi desafiar o provérbio popular que diz: “papagaio velho não aprende a falar”. Pensei... “como não sou papagaio e estou na flor da idade, acho que dá”.  Deu, mas... Entender a outra língua e expressar o que queria (mesmo com ajuda da velha mímica, muitas vezes) foi razoável. Mas havia outro detalhe... escrever em nível acadêmico, conforme as justas exigências do curso. Cada matéria era apresentada com páginas e páginas que deveriam ser escritas. Mais de uma vez senti vontade de desistir, pois o desafio parecia muito além da minha capacidade... e era de fato (muitas vezes me veio à mente a história do ‘papagaio velho’). Mas quando já estava me dando por vencido, um professor lembrou na aula: “Deus nunca nos dá mais que podemos, pois Ele nos dá graça e poder para cumprir Sua vontade”. E assim foi. O Deus fiel não me deixou no meio do caminho, e foi glorificado na minha fraqueza.
            Aos poucos, à medida que o ano corria, ficava cada vez mais claro que uma vez mais o Senhor nos faria mais que vencedor. Em cada ansiedade, em cada cuidado, em cada notícia triste, em cada abatimento do coração, mais forte eu podia ouvir a voz do Senhor: “Não to mandei eu? Sê forte e corajoso”.
            Dizer que foi um ano fácil seria uma exagerada simplificação. Mas dizer que chegamos ao final como perdedores seria uma terrível ingratidão. Lutamos e vencemos... Deus nos deu a vitória. Saiu tudo com queríamos? Certamente não, e nem poderia. Esse é um mundo caído em pecado, que se torna ainda mais complicado pelo nosso próprio pecado. Não adianta nutrir a ilusão de que neste mundo as coisas serão tão boas como poderiam ser. Mas, ao final de tudo, o balanço é mais do positivo, pois Deus nos sustentou e nos guardou por caminhos que somente a Sua providência poderia explicar.
            Sobrevivemos 2013 e sobreviveremos 2104, pois Deus é conosco e promete nunca nos deixar. Que venha o novo ano, e que a glória do Senhor se manifeste me nós mais uma vez.

            A Serviço do Mestre,

            Pr. Jenuan Lira.

domingo, 22 de dezembro de 2013

A BELEZA DO NATAL

“…não tinha aparência nem formosura; 
olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse” (Is. 53:2)

O evento mais impressionante em toda história universal aconteceu sem ser notado pelo mundo. Quando chegou a plenitude dos tempos e o Messias prometido desde o Éden finalmente entrou no mundo, sua vinda aconteceu de maneira quieta, obscura e humilde.
            A jovem escolhida para dar à luz o Messias, com cerca de 13 anos de idade, não vinha de família nobre, nem morava em um lugar importante. Pelo contrário! Em João 1:46, Natanael pergunta: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?”. Isso indica que ser um Nazareno não significava muito para os judeus da época.
            Quanto ao nascimento de Jesus, não poderia ter acontecido de maneira mais humilde. Em uma estrebaria na pequena vila de Belém Maria deu à luz seu filho. Na falta de um berço, o Criador e sustentador dos Céus e da terra, miraculosamente nascido em forma de um bebê indefeso, foi deitado numa manjedoura. As condições eram as mais precárias possíveis, e os primeiros visitantes foram humildes e desprezíveis pastores notificados por meio dos anjos.
            Mas enquanto a terra repousa quieta nas trevas da ignorância e pecado, os céus jubilavam. O eterno plano da redenção se cumpria, nascia a esperança para a humanidade em desespero. Um novo reino se introduzia, trazendo consigo liberdade e salvação. Por isso os anjos cantaram e uma nova estrela anunciou a chegada do Salvador.
            A história do nascimento de Jesus confirma que Deus não vê como vê o homem. O que para os homens é considerado importante, para Deus não tem o menor valor. Observando a cena humilde em que se deu o primeiro natal, somos forçados a concluir que os nossos valores são supérfluos, pois as maravilhas que Deus opera são medidas por padrões diferentes dos nossos. O que é grande aos olhos dos homens pode ser absolutamente insignificante aos olhos de Deus. Por o apóstolo Paulo afirmou: “Mas o que para mim era lucro, isso considerei perda por causa de Cristo”.
            O mundo não compreende o verdadeiro sentido do natal. Como aconteceu em Belém, Aquele que é a razão do natal continua sendo uma figura despercebida. Enquanto isso, os homens se apropriam do natal para esbanjamento e ostentação. Comemorado segundo o modelo de mundo, o natal perde completamente a beleza da simplicidade e humildade que marcaram a cena original na estrebaria.
Que este natal sirva para corrigir o nosso engano quanto ao que realmente vale à pena. Que voltemos as costas para o barulho do mundo e na quietude de um coração contrito voltemos os nossos olhos para aquele que “não tinha aparência nem formosura”, que chegou ao mundo sem ser notado, e nos identifiquemos com Ele, deixando de lado a ilusão de grandeza que o mundo oferece, enquanto nos comprometemos em buscar em primeiro lugar Seu reio e Sua justiça.

A serviço do Mestre,

Pr. Jenuan Lira. 

domingo, 15 de dezembro de 2013

NAS MÃOS DE DEUS

A mensagem breve postada pelo pr. Bruce Nichols anunciava o acidente do seu filho Calebe. O carro desceu um rampa alta, e o Calebe foi encontrado inconsciente devido a uma forte pancada na cabeça. Uma situação realmente difícil, desanimadora e cheia de incertezas.
            Dois dias depois do acidente, liguei para o pr. Bruce para informá-los de que estávamos sentindo com eles, e apresentando o Calebe a Deus em oração. Depois de relatar brevemente os fatos e o prognóstico um tanto desanimador, ele disse: “Sabemos que a vida do Calebe está nas mãos de Deus, e essas são as melhores mãos”. Fiquei confortado e edificado ao ver a confiança em Deus expressa pelo pr. Bruce e por sua esposa.
            O momento difícil pelo qual a família Nichols está atravessando seria simplesmente desesperador se não fosse sua confiança na soberania de Deus. A crença bíblica num Deus soberano sobre todas as coisas, e que tudo faz visando a Sua glória e o bem do Seu povo é mais do que um artigo de fé. Essa doutrina é uma rocha firme que nos mantém estáveis mesmo em meio às mais difíceis provas.
O Senhor Jesus nos antecipou que Seus discípulos seriam testados na sua fé. Mas precisamos reconhecer que o verdadeiro desafio da vida de fé nunca se realiza em tempos fáceis. Quando estamos navegando em águas tranquilas e tudo está sob controle a distração da bonança pode nos fazer esquecer que o “justo viverá pela fé”. No entanto, quando as ondas da aflição se levantam e os nossos recursos se mostram insuficientes para enfrentar o perigo, o teste da fé se torna real. Nesse momento alcançamos o ponto crítico no qual, ou somos vencidos pelo desespero ou mantemos firme a certeza de que o Senhor virá nos salvar, mesmo que para isso Ele precise vir andando por sobre as ondas.
            Nesse dias, meditando em Êxodo 33:14 observei as palavras do Senhor a Moisés, enquanto guiava o povo pelo deserto: "A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso".  Eis uma grande e preciosa promessa que nos grande traz alento. As provas e lutas esgotam as nossas forças, mas o Senhor nos dá descanso. Ele é fiel e cumprirá todo o bom propósito da Sua perfeita vontade.
            Certamente esse é o momento para intercedermos pelo Calebe e nos unirmos com a família em oração, ficando dispostos para dividir as cargas. Mas acima de tudo esse é o momento para olharmos para o Senhor e reforçarmos a nossa esperança nele. A situação é crítica e os médicos estão tentando tomar as melhores decisões conforme o quadro clínico. Calebe está bem assistido em um hospital moderno, cercado por profissionais competentes, mas limitados naquilo que podem fazer. Diante desse fato, mais ainda nos alegramos na certeza de que Calebe está nas mãos de Deus, e não existe mãos melhores.
            Que essa experiência difícil pela qual os nossos irmãos atravessam possa trazer glórias ao nome de Cristo e nos ajudar a esperar no Senhor, sem duvidar em nenhum momento que “Ele é bom e a Sua misericórdia dura para sempre”.
            A serviço do Mestre,

            Pr. Jenuan Lira.