terça-feira, 20 de março de 2018


A BELEZA QUE DEUS REJEITA

Será que em lugar de perfume haverá podridão, e por cinta, corda; em lugar de encrespadura de cabelos, calvície; e em lugar de veste suntuosa, cilício; e marca de fogo, em lugar de formosura.” (Isaías 3.24)

A mensagem do juízo de Deus sobre as filhas de Sião em Isaías 3 não poderia ser mais atual. Até parece que o profeta estava em uma loja de cosméticos, e acessórios femininos, como as que encontramos nos modernos centros comerciais. O profeta faz de turbantes, joias, vestido de festas, mantos, xales e bolsas. Por pouco não encontramos  menção as marcas  Arezzo, Mac ou Louis Vuitton.
O leitor descuidado poderia chegar a pensar que Deus tem aversão à atratividade da beleza feminina, muitas vezes ressaltada por cosméticos e adereços. Certamente este não é o caso, exceto quando a beleza exterior se torna um fim em si mesma, ganhando precedência sobre o homem interior, que deve ser 'unido ao incorruptível trajo de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus.” (1Pedro 3.4) Se o coração da mulher estiver adornado com a beleza da santidade de Deus, os perfumes e cosméticos, quando usados, apenas atrairão olhares para Cristo. 
Infelizmente, não era este o caso no tempo do profeta Isaías. A nação havia virado as costas para Deus. A mensagem dos profetas caía em ouvidos surdos e corações endurecidos. O temor do SENHOR já se havia perdido e as marcas da corrupção espiritual se manifestavam em todas as coisas, inclusive nos valores que ditavam a moda feminina. Os produtos de embelezamento das  mulheres eram simples indicativos da vulgaridade espiritual e social que já não podia ser contida. As mulheres do povo de Deus estavam se vestindo como as mulheres dos povos pagãos.  A aparência exterior era tudo que contava e a vaidade estava acima de tudo.
Claramente, a extravagância nas vestimentas das mulheres revelavam o descompasso espiritual do povo. Com os valores corroídos, os homens e as mulheres passaram a dar à aparência um valor exagerado. O desejo de estar sintonizada com as tendências sociais consumia as forças e os recursos das mulheres. A fineza dos xales em combinação com bolsas e cintos caros era a norma no universo feminino. Cada detalhe da aparência deveria ser observado religiosamente. Fugir aos ditames e tendências dos produtores da moda era um sacrilégio. A etiqueta na bolsa e a essência de perfumes caros era quase uma questão de sobrevivência. Foi contra esse espírito de vulgaridade que o profeta de Deus se levantou. Toda essa efusividade feminina carnal era abominável aos olhos do SENHOR. A adoração do exterior havia tomado o lugar de Deus e, por isso, o SENHOR promete destruir a vã beleza das mulheres de Israel. Os perfumes seriam substituídos por um odor horrível; os cintos por cordas que arrastam os cativos; a encrespadura de cabelo seria trocada por calvice e as vestes suntuosas por pano de saco.
Como as palavras, nossa aparência exterior também revela nosso coração. Quando Cristo nos alcança, até nosso gosto muda. Não somos mais escravos das normas e etiquetas sociais que, na sua maioria, servem apenas para esconder a vaidade do nosso coração corrompido. Lamentavelmente, como aconteceu no Éden, as mulheres continuam sendo iludidas e os homens continuam calados. Parece que já não há mais divisores morais e espirituais que identificam o povo escolhido de Deus, chamado a brilhar como luzeiros, no meio de uma geração pervertida e corrupta.
 Devemos ter cuidado, pois o mundo nem sequer entende a expressão ‘beleza da santidade’, que descreve o nosso Deus. Para o mundo, se é belo não é santo; se é santo, não pode ser belo.  Mas,  não é esse o pensamento dos que são chamados para ser santos, os quais, acima de tudo, buscam agradar a Deus e estão prontos a rejeitar “…  até a roupa contaminada pela carne.(Judas 23).
Que Deus nos livre da beleza que Ele abomina, pois “Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada.” (Provérbios 31.30)

A serviço do Mestre,
Pr. Jenuan Lira.



IDOLATRIA: A PIOR CEGUEIRA

Nada sabem, nem entendem; porque se lhes grudaram os olhos, para que não vejam, e o seu coração já não pode entender.” (Isaías 44.18)

            A Serra do Horto, uma das atrações turísticas da cidade de Juazeiro do Norte, bem poderia ser chamada a Serra das Contradições. O lugar é, ao mesmo tempo, lindo e feio. Ali perceber-se o imensurável contrastes entre a sabedoria do Criador e a loucura da criatura. O Horto é o ponto de intercessão entre o poder e fraqueza, a glória e a degradação, a grandeza e a pequenez… em um extremo ergue-se iminente, o Deus, Criador de todos os homens; no outro, em avançado graus de decomposição, tenta se manter de pé a imagem do padre Cícero, o deus criado pelos homens. O visitante comum não talvez não note a força da tensão espiritual, mas, se você é um regenerado, sentirá sua alma esticada, tentando resolver o misterioso dilema de como, em um lugar tão alto, o homem pode descer a um ponto tão baixo.

            Qualquer pessoa, como eu,  que já teve oportunidade de morar em um centro de idolatria religiosa, poderá compreender mais claramente o que a Bíblia diz acerca dos ídolos e dos idólatras. O profeta Isaías, por exemplo, a partir do capítulo 40, tem importantes exortações sobre a idolatria. O idólatra, diz o profeta de Deus, é como uma pessoa que perdeu o juízo. Seu coração iludido pela imagem feita pelas próprias mãos, não consegue discernir as realidades mais básicas. É assim que, como diz Isaías,  O artífice em madeira estende o cordel e, com o lápis, esboça uma imagem; alisa-a com plaina, marca com o compasso e faz à semelhança e beleza de um homem, que possa morar em uma casa.” (Isaías 44.13) O profeta usa esse caso como um exemplo máximo de insanidade, pois a madeira com que o artífice acende o fogo para aquecer   ou até cozinhar os alimentos, serve também para a confecção de um deus, perante o qual se o homem se ajoelha e diz: “livra-me, pois tu és o meu deus” (Is. 43.17). Tentar explicar a um idólatra que seu deus, como diz o profeta Jeremias (10.5), não passa de um ‘espantalho em pepinal’, infelizmente, não é possível. A idolatria não opera segundo as leis do pensamento equilibrado e do raciocínio normal. A lógica da idolatria se sustenta a partir das falácias construídas na obscuridade do coração pecaminoso, que se acha enredado pela forca das trevas (1 Cor. 10.20).  Por esse motivo,  Nada sabem, nem entendem; porque se lhes grudaram os olhos, para que não vejam, e o seu coração já não pode entender.” (Isaías 44.18)

            Mas, enquanto nos espantamos com loucura da idolatria praticada pelos pagãos, não pensemos que, pelo fato de termos recebido o conhecimento do Deus verdadeiro, esse pecado não mais nos assedia. Israel viu a glória de Deus e ouviu a Sua potente voz no Sinai, mas não demorou muito até que fabricasse o bezerro de ouro. Se, por um lado, não nos vemos curvados ante imagens de escultura, nem seguimos as multidões enganadas em uma romaria, por outro nos deixamos guiar pacificamente pelos muitos ídolos fabricados em nosso coração (cf. Ez. 11.21). São desejos, escolhas e motivações que nos prometem segurança e realização. É aquela busca de plenitude em um relacionamento, em um sonho de consumo, na aprovação em um concurso ou no emprego desejado. O grande risco dos ídolos do coração é que eles se disfarçam em desejos ou ações que, em si mesmas, podem não ser pecaminosas. Como bem dizia João Calvino, “O mal em nosso desejo não repousa naquilo que queremos, mas no fato de o querermos em demasia.” E, (digo eu, não Calvino) quando algo nos atrai em demasia, podemos estar certos de que tal desejo está definindo nosso senso de plenitude, satisfação e identidade. Nas palavras de Cristo, ali está o tesouro do nosso coração. Esse desejo, não sendo pelo Deus verdadeiro, é um deus funcional, que, ilusoriamente, nos promete segurança e felicidade.

            Um dos ídolos mais apelativos dos nossos dias é a chamada ‘liberdade de escolha.’ As pessoas querem ter o direito de escolher, de exercer a liberdade de optar, sem a o incômodo de ter alguém dizendo o que devem fazer. Há algum tempo um homem deixou de freqüentar nossa igreja, depois de muito tempo vindo aos cultos. Perguntado sobre sua decisão, ele explicou: “Escolhi uma igreja onde não me sentisse tão pecador.” Fique feliz em saber que estou ensinando o que a Bíblia diz. Quanto ao homem que saiu, o ídolo do próprio ego lhe obrigou exercer sua liberdade de escolha, levando-o a uma igreja onde o cliente recebe melhor tratamento.

            Recentemente, um dos grandes problemas sociais, inclusive entre os chamados crentes, são as dívidas, que também manifestam a idolatria do nosso coração. Em tempos de crise econômica, o ídolo do consumismo manifesta toda sua força. O zelo com o bom testemunho e até as contribuições ordenadas por Deus para a manutenção da Sua obra podem sofrer, mas os deuses dos desejos materiais não podem ser desapontados. Se o dinheiro está curto, o deus pede um sacrifício!

            Desejar uma roupa nova, uma refeição em um bom restaurante ou um novo carro não são desejos pecaminosos em si mesmos. O problema é quando esse desejo tem que ser cumprido, mesmo que seja necessário ‘roubar a Deus’, como disse o profeta Malaquias.

            Meus irmãos, mediante a intensa e perigosa força da idolatria, nunca é demais recordar as palavras do apóstolo João: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.” (1João 5.21)

            A serviço do Mestre,
            Pr. Jenuan Lira.




MINHA CULPA, MINHA MÁXIMA CULPA!

Mas os perversos são como o mar agitado, que não se pode aquietar, cujas águas lançam de si lama e lodo.” (Isaías 57.20)

            O pregador empolgado, no culto campal, querendo mover os ouvintes a levar em conta sua responsabilidade pela  morte de Jesus, dizia em alto e bom som… literalmente em ‘em bom som’: “A culpa é minha, a culpa sua… todos somos culpados da morte!” Um homem que passava perto, ouviu essas palavras, mas não pegou todo o contexto. Ao virar a esquina, um transeunte lhe indagou: “Por que toda aquela gente está reunida na calçada?” Sem titubear, o homem respondeu: “É melhor não passar por lá. Alguém morreu e todo mundo que chega é culpado.”

            Há alguns dias que os noticiários brasileiros jorram um mar de lodo e lama, que parece não ter fim. A chamada operação Lava Jato, pode até lavar, mas vai nua vai ser a jato. Com tanto sujeira, não dá para apressar o passo. Para onde quer que o ‘jato' da justiça se dirija, enxurrada de lama se desprega das paredes de Brasília. A impiedade revelada em cada fase, faz-nos lembrar a expressão forte do profeta Isaías: Mas os perversos são como o mar agitado, que não se pode aquietar, cujas águas lançam de si lama e lodo.” (Isaías 57.20). Lama o lodo… perfeita combinação com Lava Jato!

            Depois da inclusão do nome do presidente em um processo de corrupção passiva, o espírito de revolta tomou conta da nação. No vácuo da conduta política vergonhosa, aproveitadores de todas as extirpes, alguns, inclusive, com os nomes enlameados, já se apresentam como salvadores da pátria. Estamos perto de ouvir novamente que ‘a esperança vence o medo’, numa outdoor cheio de estrelas vermelhas. Assim, por meio de messianismo barato, líderes populistas promovem greve geral e acirram os ânimos da população, a fim de fazerem a nação se sentir vítima dos políticos, como se os políticos não fossem a representação ‘encarnada e esculpida’ da própria nação. Caso se confirme o impeachment do presidente (acho que vamos ganhar mais uma marca vergonhas no livro dos recordes), um dilema imediato surgirá: Quem ocupará o cargo? A justiça precisa ser feita, mas vamos sair do forno e cair na frigideira, de novo. Não é realmente uma calamidade que numa nação tão grande, os homens de bem não queiram se apresentar como líderes políticos? Infelizmente, por conta da podridão no meio político, homens de bem preferem ficar distantes, entregando a liderança da nação a ‘homens de mal’. O motivo é legítimo, mas, assim mesmo, o fato não deixa de ser uma calamidade.

            Agora que a podridão da corrupção ameaça as entranhas da nação, com os efeitos batendo à porta do ‘cidadão comum’, cada um tira o corpo de banda e se prepara para atirar a primeira pedra no primeiro político de plantão. Sejamos um pouco mais honestos! Se pedrada é o castigo para os oportunistas, cobiçosos, violadores da lei e especialistas no jeitinho, que o Brasil todo entre na fila do apedrejamento! Somos um povo dado à corrupção. O legislativo faz de conta que legisla e nós fazemos de conta que obedecemos. É uma mão lavando a outra. Exagero? E a gorjeta para o guarda de trânsito? E a propina para o fiscal da prefeitura? E a ultrapassagem pelo acostamento? E o prato abarrotado, que não deixa nada para os que estão atrás? Por favor, sejamos honestos ao menos para dizer: a culpa é minha!

            E, se a população como um todo não pode escapar, o que dizer dos cristãos bíblicos? Aqui a culpa é ainda maior.  Os números dão conta de uma parcela de quase 30% de evangélicos. Se apenas uma pequena cifra desse montante fosse composta de autênticos discípulos de Cristo, a gangrena da corrupção encontraria resistência. Mas, esse não é o caso, e seguimos para o caos, pois o sal se tornou insípido.

            Nasci em um lar cristão bíblico e, por isso, fui poupado dos ritos de iniciação ao catolicismo, bem como das demais práticas sacramentais. Apesar disso, li e ouvi de uma reza católica que, em certa altura diz: ‘Confesso… que pequei muitas vezes por pensamentos, palavras e ações por minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa.’ Estas palavras, parte de uma oração penitencial de confissão,  foram introduzidas na missa no século XI. A reza está cheia de equívocos reprováveis, pois o ‘penitente' faz sua súplica repetitiva não somente a Deus, mas a Maria, aos apóstolos e até ao arcanjo Miguel. Ou seja, a teologia da oração é absolutamente repulsiva aos que têm nas Escrituras sua única regra de fé e prática. Mas, a expressão em que o pecador assume plena responsabilidade pelos seus pecados, inclusive representando sua tristeza pelo bater no peito, é interessante. E, já que somos uma nação católica, que bom seria se cada brasileiro, olhando a miséria da nação, batesse no peito e confessa honestamente… 'minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa.’ Quem sabe assim, a consciência de pecado seria ressuscitada e, dos céus, ouvíssemos a absolvição misericordiosa do Deus Santo: “meu perdão, meu perdão, meu máximo perdão”.

            A serviço do Mestre,

            Pr. Jenuan Lira.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

CORRUPÇÃO NO COMBATE À CORRUPÇÃO

            Ai desta nação pecaminosa, povo carregado de iniquidade, raça de malignos, filhos corruptores; abandonaram o Senhor, blasfemaram do Santo de Israel, voltaram para trás.” (Is 1.4)

            Não tenho tempo, nem estômago para acompanhar as notícias da política e dos políticos brasileiros. No entanto, não há como ficar alheio às últimas novidades e possibilidades, após as revelações bombásticas envolvendo o presidente Michel Temer e outras conhecidas figuras públicas.

            Sou totalmente a favor de que se investigue o presidente, bem como o resto da ‘turma’. Até onde for possível, justiça seja feita! Mas, ao mesmo tempo em que me alegro ao ouvir que Brasília está sendo abalada, com o soprar da  brisa de justiça divina, entristeço-me com as cenas dos bastidores. É realmente lamentável notar a sagacidade maligna do coração humano e a esperteza dos aproveitadores tirando proveito das brechas da lei, a fim de se livrarem, legalmente, das penalidades que deveriam sofrer. Refiro-me aos empresários Joesley e Wesley Batista, que merecem o prêmio máximo da malandragem. Os dois não somente terão suas penas aliviadas, pelo recurso da delação premiada, mas também sairão ovacionados como cidadãos corajosos e honrados, pelo fato de terem entregado alguns dos seus parceiro de delinqüências.

            Os donos da JBS calcularam cada bem cada ação. Sabedores de que as denúncias iriam abalar o mercado financeiro, causando alta na moeda americana, tomaram a providência de comprar uma elevada quantia de dólares. A lógica é perfeita: com os lucros da operação financeira, pagariam a multa imposta pela justiça, restando-lhes ainda, de quebra, alguns ‘trocados.’ Com o prêmio da delação se livram da cadeia e ficam ‘presos' nas suas belas casas, administrando e multiplicando seus milhões.

            Os episódios recentes estão cheios de lições. Certamente, desdobramentos surpreendentes e comprometedores ainda virão à tona. Novas descobertas poderão ainda, usando as palavras dos profetas bíblicos, nos fazer ‘tinir ambos os ouvidos’. Mas, independente do que venha a ocorrer, nada é mais desencorajados do que saber que, a esperteza maligna do coração humano torna impossível que a justiça seja feita. Os corruptos que forem mais ágeis podem escapar da prisão, desde que sejam 'rápidos no gatilho’. Devemos reconhecer e agradecer o esforço de alguns magistrados, que tentam, podo em risco a própria vida,  aplicar a lei. Mas, precisamos admitir que, no quesito justiça, o Brasil e o mundo são causa perdida.

            Em meio a tão desanimador cenário, uma vez mais fica claro que nossa esperança não pode estar fundamentada na justiça humana. O expediente legal da delação premiada, utilizada à exaustão nos últimos dias, revela que nossa condição é tão desesperadora que, até para se conseguir fazer  justiça, os magistrados precisam lançar mão de um pouco de injustiça. Não optam pelo que seja bom, mas pelo mal menor. Tudo bem que seja um ‘mal menor’, mas, maior ou menor, não deixa de ser mal.

            Vendo o Brasil, esse ‘gigante pela própria natureza’, agonizando sob o peso da corrupção, somos forçados a repetir as palavras do salmista: Presta-nos auxílio na angústia, pois vão é o socorro do homem.” (Salmo 60.11). Essa certeza nos livra da falsa expectativa de que, no agitado cenário político nacional, depois da tempestade vem a bonança. Tal utopia apenas pavimenta o caminho para outros ‘salvadores da pátria’, com discurso melodramáticos, anunciando que, finalmente, a ‘esperança venceu o medo’. Já vimos esse filme e, hoje, estamos sem esperança e vencidos pelo medo.

             Lamento informar, mas o que está por vir no cenário político nacional e internacional não é melhor. Só para confirmar esse sombrio prognóstico, no caso do impedimento ou renúncia do nosso presidente, uma pergunta necessária, mas difícil seria: Quem será o substituto?  Não duvido que a ação do judiciário, somada às manifestações populares, poderá nos trazer algum alívio. O problema é que não é ‘algum alívio’ que vai resolver nosso tirar do precipício. Para sairmos do caos, precisaríamos de um líder competente, equilibrado e justo. Um governante com força e habilidade para fazer justiça, sem precisar lançar mão da injustiça.  Um que jamais iria ser tentando pelas vantagens da corrupção, mas puniria, imediata e exemplarmente, ‘com vara de ferro’, todos os corruptores. Um Rei perfeito, de domínio universal, capaz de trazer a verdadeira paz para o mundo, um que, com absoluto conhecimento do coração humano, pudesse manter completo controle no seu reino, de modo que, como resultado do Seu governo, o conhecimento de Deus enchesse toda terra, assim como as águas cobrem o mar. Algum candidato?

             Quem só espera no vão socorro do homem, tem toda razão de entrar em desespero. Quem espera em Deus, tem toda razão para olhar além do momento presente, renovar suas forças e, com o coração cheio de expectativa, repetir as palavras do apóstolo João: "Maranata! Vem, Senhor Jesus!” Eis nossa única esperança.

            A serviço do Mestre,

            Pr. Jenuan Lira.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017



QUE É A VOSSA VIDA?
Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa.” (Tiago 4.14)


O acidente aéreo que vitimou o ministro Teori Zavascki chocou o Brasil. Teori, 67 anos, 46 de carreira, ministro da STF, estava vivendo dias intensos, envolvido em tarefas de extrema importância, as quais, sem dúvida, se destacariam como os maiores desafios na sua longa carreira jurídica. Se o poder sobre a morte estivesse nas mãos dos homens, certamente o ministro tão cedo não entraria na lista. Especialmente nos próximos dias, quando suas ações teriam impacto significativo nos desdobramentos da famosa Operação Lava Jato. Todos os atos do ministro seriam seguidos de perto, pois a nação nutria grandes expectativas nas suas decisões. Infelizmente, tudo isso agora é história. Um acidente cheio de interrogações encerrou para sempre a carreira de Teori Zavascki.

Uma vez mais se confirmam as sábias palavras de Salomão: “Não há nenhum homem que tenha domínio sobre o vento para o reter; nem tampouco tem ele poder sobre o dia da morte; nem há tréguas nesta peleja...” (Eclesiastes 8.8) No dia determinado por Deus, nossa breve viagem nesse mundo findará. Independente da nossa vontade e dos planos para o dia de amanhã, ao comando do SENHOR cruzaremos os portais eternos.

Tais tragédias deveriam nos mover à humildes reflexões. Nenhum de nós, por mais seguros que nos sintamos, estamos imunes à convocação do Pai Eterno. E, quando chegar esse momento,  nenhuma diferença fará se fomos ricos ou pobres, sábios ou ignorantes, famosos ou anônimos. Na audiência perante o Juiz de toda terra, fato que segue imediatamente a morte (Hb. 9:27), os itens do nosso currículo serão insignificantes. No tribunal divino só haverá duas classes de pessoas: salvas ou perdidas. Nesse momento, o mais pobres dos homens pode se tornar a mais rica criatura, se alcançar a graça de ser declarada absolvida da eterna culpa dos seus pecados, na base do pagamento feito pelo Filho de Deus, na cruz do Calvário.

Uma das marcas do pecado que habita em nós é o orgulho. Não somos nada, mas não aceitamos o fato. Somos realmente uma folha seca se apresentando como um cedro do Líbano! Fazemos nossos planos e determinamos nossas ações sem considerar que a eternidade pode estar nos aguardando na próxima esquina. Por causa desse orgulho entranhado na alma, poucas vezes paramos para agradecer a Deus, quando nossos planos são bem sucedidos. Também, poucas vezes nos aquietamos quando o dedo de Deus frustra os nossos desígnios.

Tiago 4:13-17 nos adverte acerca das nossas ‘arrogantes pretensões.’ Traçamos um curso de ação, definimos os alvos e os resultados e partimos apostando que vai dar tudo certo. Tiago nos repreende por tal soberba, que nos impede de dizer: “Se o SENHOR quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo.” Parece algo simples, mas não é. Quando tomamos a precaução de incluir a vontade de Deus como condição para nossas realizações, estamos assumindo nossa fragilidade e declarando nossa disposição de aceitar a vontade de Deus, seja ela qual for.

A triste notícia da morte do ministro tem muito a nos ensinar. A Bíblia diz que aprendemos mais pela morte do que pela vida. Uma vez mais, Salomão nos ensina: “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração.” (Eclesiastes 7.2). Infelizmente a sociedade está tão anestesiada para as realidades espirituais, que até mesmo as inesquecíveis lições da morte se perdem em meio ao emocionalismo e comoção superficial promovidos pela mídia.

Tudo indica que 2017 será um ano difícil. Do Brasil e dos quatro cantos do mundo nos tem chegado notícias chocantes. Nesses poucos dias do novo ano já estamos com a cota cheia de notícias sobre atentados, guerras, conspirações, desastres naturais e acidentes. Que tomemos tudo isso em consideração, reconhecendo nossa pequenez e dependência do SENHOR. Ao mesmo tempo, descansemos na certeza de que nossa vida está nas mãos do Bom Pastor, que estará conosco sempre, ainda que seja no vale da sombra da morte.

A serviço do Mestre,

Pr. Jenuan Lira


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O IMPÉRIO MUDA DE COR... DE REPENTE?

“Para que todas as terras conheçam que a mão do SENHOR é forte...” (Js. 4:24)

Era noite, dia 8 de novembro de 2016. Esperança e expectativa enchem o salão oval da Casa Branca... o coração do mundo está agitado! Presidente Obama, general do exército democrata, acompanha a apuração voto a voto. Não importa a hora. Quem quer dormir e perder a festa?   O banquete está preparado e a lista de convidados selecionada. A noite vai ser curta para celebrar a vitória. Como tudo se faz naquele poderoso salão, nenhum detalhe é pequeno demais para ser ignorado. A bola já está rolando... é esperar o final do segundo tempo, e correr para o abraço...

            Mas, algo inesperado começou a abalar as estruturas do governo. Como diria o velho poeta carioca, no seu belo e triste Soneto de Separação, ‘... de repente, do riso fez o pranto... da calma fez-se o vento... que dos olhos desfez a última chama!..’! E, se me fosse permitido emendar Vinícius (capaz de eu ser preso...), seria assim...
            “[... que dos olhos desfez a última chama]
            E que, nas reviravoltas do inusitado momento,
Derreteu o coração do presidente Obama
           
            Não sou poeta, nem filho de poeta. E se o fosse, que diferença faria? Mas uma coisa eu sou, e sou ‘de cum força’: sou um devotado cristão, que observa o mundo pelas lentes da inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus. Claro que, se houvesse em mim qualquer pretensão de ser um poeta  que merece ser ouvido pelos sábios desse mundo, a minha declaração de fé na Bíblia já me teria desqualificado. ‘Poetas de verdade’ podem crer em Buda, em Maomé, em Allan Kardec, numa árvore, num rio ou numa pedra. Só não crer em Cristo e nas Escrituras. Como minha fé não está à venda, vou rabiscando minhas ‘mal traçadas linhas’, caminhando à luz da Palavra e cantando as glórias do meu Senhor, seguindo a canção que brota de lábios que confessam o Seu nome.

            Mas, poesia à parte, que o resultado da eleição americana foi um  social abalo sísmico, isso foi. Mesmo sem nunca antes o mundo ter tomado conhecimento sequer da existência do senhor Donald Trump, dos quatro cantos do mundo brotavam acusações e impropérios contra o bizarro candidato que deseja fazer a ‘América grande novamente!’ Pelas lentes da Rede Globo, e da maioria da mídia americana e mundial, toda partidária da Hillary e do Obama,  que luta com todas as forças para que se preserve a ‘arte liberal’ que há muito vem sendo produzida pela mente aberta dos artistas democratas, Trump é um monstro pavoroso, insensível, sem coração, que vai destruir os sonhos de liberdade da América e do mundo.

            Obviamente, a inacreditável eleição de Trump, torna as águas turvas para os democratas, que há muito dão as cartas a partir da Casa Branca.   As cores do liberalismo, da diversidade, dos direitos individuais e das chamadas ‘minorias excluídas’ têm sido a tonalidade predominante no firmamento americano. Em anos recentes, parece no céu da América há sempre um arco-íris brilhando. Como Trump não é muito dado às cores fortes, nem exímio apreciador da artes plásticas, o resultado das urnas lançou muito mais do que cinquenta tons de cinza na tela do projeto liberal do partido democrata. Sem dúvida, o céu ficou nublado... Tudo muito de repente.

            Nenhum cristão bíblico pode deixar de se esforçar para entender a surpresa americana à luz das Escrituras. Estamos falando da maior potência mundial, cujo poder repercute nos confins de toda terra. Como disse certa jornalista inglesa, a América é tão poderosa que ‘tememos quando Os Estados Unidos nos observam demais, e tememos quando nos observam de menos.’ Mas, como cremos que o poder pertence ao SENHOR, o Juiz de toda terra, ‘que a um abate, a outro exalta’ (Salmo 75:7), no abatimento democrata e na exaltação republicana tem ‘o dedo de Deus.’  Se o SENHOR, na Sua absoluta soberania dá conta até dos insignificantes pássaros que caem do firmamento, seria razoável pensar que a eleição do presidente ‘do mundo’ estaria fora do Seu controle?

            Não posso entrar em detalhes interpretativos, pois seria uma temeridade, mas  a ‘surpresa americana’ envia uma simples mensagem para todas as nações: “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor.” (Provérbios 16.1). Claro que o mundo, na sua crença ateísta, jamais vai admitir que o Rei das nações frustrou os desígnios de muitos. Mas, para nós que conhecemos as Escrituras, embora sejamos desconhecidos do mundo, a eleição de Trump traz alento e renova nossa esperança. Não que possamos ter grandes expectativas no novo presidente americano. Aliás, do pouco que sabemos, já temos muitos motivos pelos quais nós, cristãos, devemos ficar com os dois pés atrás. Nossa esperança está em Deus, que continua no Seu trono, ‘movendo reis e estabelecendo reis.’ Um raio de alento surge quando observamos que, embora os homens tenham seus esquemas e certezas, o plano de Deus prevalece, seja na superpotência americana, seja na Europa, seja no Brasil, seja nas nossas vidas.

            Vendo as cores mudando na terra do Tio Sam (será que a Casa Branca ainda será ‘branca?’), devemos ficar de olhos bem abertos, e ampliar nosso campo de observação para outros horizontes. Ainda tem muita água para rolar. Mas, o fato é que surpresas estão se espalhando pelo mundo. No Brasil, ‘os intocáveis’  estão atrás das grades; na Venezuela, já ouvimos rumores de que o impeachment do Maduro começa a ser organizado. Preparemo-nos. Quando o SENHOR resolver mexer as pedras do xadrez do poder mundial, liberdade pode ser transformar em prisão, o verde pode se fazer maduro e o ‘maduro’ pode ficar passado. Pode ser que não fique ‘pedra sobre pedra’, mas uma coisa nunca vai mudar ...
O Senhor reina para sempre; o teu Deus, ó Sião, reina de geração em geração. Aleluia!” (Salmo 146.10)

Deus abençoe a América! Deus abençoe o Brasil!

A serviço do Mestre,

Pr. Jenuan Lira