sábado, 30 de abril de 2016

AINDA RESTA ESPERANÇA
Nossa alma espera no Senhor, nosso auxílio e escudo. Nele, o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo nome.” (Salmo 33.20-21)
            A cena dos pais pedindo oração por sua filha foi de quebrar o coração. Com lágrimas, falaram da triste situação, que foge a toda tentativa de achar no ocorrido algo que faça sentido. Tudo começou quando a filha mudou sua concepção acerca da fé cristã,  como havia aprendido na casa dos pais. Seguindo uma filosofia corrompida, a jovem concluiu que a maneira como lhe ensinaram a ler e interpretar as Escrituras estava errada. Ela concluiu que a Bíblia deve ser interpretada culturalmente, isto é, em cada cultura as pessoas decidem o significado das Escrituras. Assim, quando a Bíblia confronta o pecado, a pessoa simplesmente recorre para a explicação  de que ‘isso serviu naquela cultura.’ A jovem se tornou presa por sua nova hermenêutica, que lhe deu liberdade de fazer da satisfação do seu ego a razão da sua vida. O resultado foi o pior possível, pois a elevação do ego foi tamanha, que não sobrou espaço para o marido e os filhos. A jovem simplesmente esqueceu que era esposa e mãe, deixou o seu lar e partiu em busca do seu sonho.
            Ao sair da reunião, meu coração estava pesado, sentindo a dor daqueles pais. A grande questão era: como esse casal pode encontrar forças, motivação e alegria para prosseguir no ministério, quando as circunstâncias a sua volta são tão tristes? Como podem experimentar paz, sabendo que a filha está enredada na armadilha do pecado, tão cega pela amargura, que não consegue ouvir o choro dos próprios filhos que anseiam por sua volta?
Enquanto meditava na situação, Deus me trouxe à mente o Salmo 33. Este Salmo nos ordena a louvar o SENHOR por Sua Palavra, por Sua justiça e por Suas obras. É óbvio que o Salmo foi escrito a fim de trazer esperança ao coração do servo de Deus, que está em grande angústia, sentindo-se esmagado sob peso da provação. O Salmista chama nossa atenção para o grande poder de Deus exposto na criação,“Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir.” (Salmo 33.9) Diante de tal verdade, podemos perguntar: Existe algo que possa desafiar a capacidade do Deus Criador, que tudo fez pelo poder da Sua Palavra? Será que a dureza de coração de um filho rebelde é capaz de neutralizar o imenso poder de Deus? Mas isso não é tudo, pois o Salmista continua mostrando a autoridade do SENHOR sobre todas as nações, que simplesmente são impotentes para anular os desígnios de Deus, cujas determinações duram para sempre. Que notícia maravilhosa para meus amigos sofredores. Se todas as nações estão sob o controle de Deus, é óbvio que sua filha não pode fugir da jurisdição do Rei do universo. Além disso, o Salmista ainda acrescenta outra verdade consoladora: “O Senhor olha dos céus; vê todos os filhos dos homens...” Aquela jovem pode até pensar que nenhuma autoridade está olhando para ela, mas a verdade é que os olhos do SENHOR não se apartam dela. Que conforto nos traz a onipresença de Deus. E como se isso não bastasse, o verso 15 diz que Deus está no controle até do coração das pessoas. Ou seja, no momento que Lhe agradar, Deus pode mudar o coração de qualquer pessoa, transformando seus conceitos, mudando seus desejos e refazendo seus sonhos. Se isto é verdade, é claro que existe esperança.
Já fazem muitos anos, mas lembro como hoje. Eu estava vivendo um tempo de grande angústia. Um dia ouvi que meu antigo professor de teologia estava chegando na cidade e fui ao aeroporto para abraçá-lo. Ele sabia o que eu estava sofrendo. Nosso encontro foi muito breve, pois ele estava em trânsito. Acompanhei-o até o estacionamento, onde alguém o estava aguardando. Mais uma vez ele me abraçou, e se despediu com as seguintes palavras: ‘Se a crença na soberania de Deus não funcionar nessa situação, não serve para mais nada.’ Eu diria que essa foi a melhor aula de teologia propriamente dita que ele me deu. Por outro lado, eu nunca antes estivera tão pronto para receber instrução sobre o assunto. Eu saí ainda chorando por dentro, pois as circunstâncias não haviam mudado, mas a lembrança da soberania de Deus me deu paz para prosseguir. É exatamente isso que o Salmista está dizendo... ‘Nunca perca a esperança... Deus é soberano.
Quando, com a ajuda do Espírito de Deus, conseguimos tirar os olhos das provações e considerar a grandeza do poder e da justiça de Deus, nosso coração revive. Nesse momento, a luz brilha, a despeito das trevas que nos cercam; e começamos a sentir cheiro de vida, onde aparentemente reinava a morte. Podemos não ter felicidade, mas teremos alegria, pois passamos a esperar no SENHOR, que é o nosso auxílio e escudo. Aos poucos, deixamos de temer os perigos que podem nos sobrevir por causa do pecado dos homens, ou das estratégias de Satanás.  Logo, estaremos repetindo as palavras do Salmista: “Nele, o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo nome.” (Salmo 33.21)
 Muitas vezes, diante da grandeza da provação,  chegamos ao ponto de pensar que não existe mais esperança. Até que voltamos nosso olhos para o SENHOR e ouvimos as palavras de Cristo: “... Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.” (Marcos 10.27). O ditado popular diz que a esperança é a última que morre. Isso só é verdade se estivermos esperando em nós mesmos ou nos outros. Se esperarmos em Deus, nossa esperança jamais morrerá... Deus é eterno!


A serviço do Mestre,
Pr. Jenuan Lira




sexta-feira, 15 de abril de 2016

A MÃO DE DEUS E O IMPEACHMENT

Senhor, a tua mão está levantada, mas nem por isso a veem; porém verão o teu zelo pelo povo e se envergonharão; e o teu furor, por causa dos teus adversários, que os consuma.” (Isaías 26.11)

            Quer o impeachment se consume ou não, uma mensagem está sendo dado para os poderosos do Brasil e do mundo: “Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande?” (Lamentações de Jeremias 3.37). O abalo causado pela agitação do processo tem servido para colocar os arrogantes líderes do governo em seu devido lugar. De hoje até domingo, o senhor Luís Inácio Lula da Silva, por exemplo, recentemente autodenominado de ‘jararaca’, já não deve estar tão certo de que será atingido apenas na cauda. Mais e mais nos parece que a mão pesada da justiça avança em direção à cabeça do perigoso réptil.

            Ao ver a justiça alcançando cobras, lagartos e outros predadores já enjaulados, não posso deixar de relacionar tudo isso com a soberania, domínio e poder de Deus. A Bíblia mostra claramente que Deus realiza e revela Seus propósitos na história da nações. É o que vemos  no Êxodo, onde aprendemos que realmente “o homem não prevalece pela força.” (1Samuel 2.9). Por algum tempo, Deus deixou Faraó pensar que estava no controle da situação. Puro engano. O Rei da Nações, o Soberano dos Reis da Terra, o SENHOR  dos Exércitos, o Eu Sou, estava mantendo tudo sob controle, usando a própria arrogância do rei para cumprir os Seus propósitos. Ao longo da história, Faraó zomba do SENHOR e dos Seus servos, quebrando sua promessa de libertação sucessivamente. Mas ao anunciar a sétima praga, Deus explica por que Ele ainda está permitindo que Faraó tenha a impressão de controle: “Pois já eu poderia ter estendido a mão para te ferir a ti e o teu povo com pestilência, e terias sido cortado da terra; mas, deveras, para isso te hei mantido, a fim de mostrar-te o meu poder, e para que seja o meu nome anunciado em toda a terra.” (Êxodo 9.15,16).

            Mesmo correndo risco de ser taxado de ‘alarmista’ espiritual, tenho a plena convicção de que a agitação em Brasília está mobilizando as regiões celestiais. Os profetas do SENHOR, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel e os outros, todos dirigiram mensagens às nações, indicando que os olhos do SENHOR estão sobre todos os povos. O levantamento e queda dos grandes impérios da história foram antecipados pela profecia. Tais profecias serviam para renovar as esperanças dos servos de Deus, ao tentarem mostrar que a mão de Deus não estava encolhida, mas continuava estendida, agindo sobre a terra. Sabemos que Deus muda Sua forma de agir e se expressar, e hoje não estamos mais recebendo profecias diretas sobre fatos contemporâneos, mas Deus é o mesmo, pois “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre.” (Hebreus 13.8)
                                                                                                                                                     
Que os céus se agitam em momentos críticos da política humana, podemos comprovar por um evento ocorrido na vida do profeta Daniel, no terceiro ano do reinado de Ciro, imperador da Pérsia (Daniel 10). Daniel recebeu uma visão sobre um grande conflito, envolvendo os poderes políticos do mundo, especialmente no que dizia respeito ao povo judeu nos últimos dias. Sentindo a gravidade da revelação, Daniel passou três semanas humilhado aos pés do SENHOR, clamando por compreensão plena da mensagem, e intercedendo por seu povo. Ao fim desse período, Daniel recebe a visita do anjo do SENHOR, enviado para lhe trazer a resposta a suas orações. O Anjo lhe fez saber que há uma relação direta entre os destacados poderes políticos humanos e a ação dos anjos nas regiões celestes. Daniel ficou sabendo da existência do príncipe da Pérsia e da Grécia, seres espirituais do mal, que supervisionam esses respectivos territórios. No caso específico de Daniel, o Anjo que lhe apareceu demorou três semanas, por causa da batalha intensa que teve que travar nas regiões celestes, a fim de chegar até Daniel com a resposta a suas orações.

Como a Pérsia e a Grécia, nossa nação também não passa despercebida nas regiões celestes, pois tem grande importância na estratégia dos poderes espirituais que agem sobre os povos. O Brasil é uma nação incrível, um país singular, atraente, vibrante, rico e amado... um ‘gigante pela própria natureza.’ Desde o nosso descobrimento, e através da nossa incrível e desencontrada história, vemos a mão do SENHOR estendida sobre esse ‘país tropical, abençoado por Deus.’ A mistura maravilhosa de índio, branco e negro criou um povo ímpar: adaptável, flexível, alegre, hospitaleiro, inteligente, emotivo. Mas, enquanto vemos a mão de Deus agindo ao longo da história do Brasil, forjando-nos pela Sua graça para sermos o que somos, é também óbvio que o príncipe deste mundo (2 Cor. 4.4), o pai da mentira, pondo em ação sua nefastas forças espirituais do mal (Ef. 6.12), através de homens revestidos com a astúcia da Antiga Serpente (Apocalipse 12.9), têm lutado com todo empenho, para fazer do Brasil um covil de malignidade e oposição aos bons propósitos de Deus.

            Estudando a Bíblia, a história e os desmandos que hoje presenciamos, há muito tenho perguntado ao SENHOR como o Brasil iria sobreviver aos claros ataques do Inimigo. Há mais de uma década iniciou um projeto bem bolado de uma ‘ditadura branca’, que seria instaurada não pelas armas, mas pelo voto. Esse projeto vem sendo elaborado e maturado há décadas. Seu articuladores agiram com a sutileza, própria dos animais peçonhentos. Foram persistentes, determinados, calculistas. Por muito tempo, o brasileiro tinha medo desse projeto de domínio. Mas, no vácuo de liderança digna, a proposta populista foi sendo vendida à população, até que, segundo diziam, a ‘esperança venceu o medo.’ Instalaram-se no poder e foram aos poucos estendendo seus tentáculos sobre todos os poderes, com o fim de estabelecer a tão sonhada ditadura. Até que, por meios inesperados, o edifício começou a ruir, chegando ao ponto do governo enfrentar um processo de impeachment.             

            Enquanto consideramos o cenário político, surge a persistente pergunta: E se a presidenta Dilma for retirada, o Brasil se livra do mal? Claro que não. Não serei ingênuo de achar que o impeachment vai resolver os problemas do Brasil, mesmo porque o seu substituto já é, em si mesmo, um problema. Mas uma coisa não anula a outra. Se existe base legal para a consumação do processo, a presidenta deve ser responsabilizada, independente de quem esteja na sucessão. A justiça deve ser feita, mesmo que favoreça uma pessoa indigna. A seu tempo, a justiça também lhe alcançará.

            Não vibro, nem faço campanha pelo impeachment. Mas me alegro demais à medida que vejo a mão de Deus se movendo em nossa direção, renovando a esperança de que não seremos engolidos pelo mal, quando parecia que nada mais se podia fazer. Os eventos do últimos dias nos deixam certos de que ainda não fomos abandonados pelo Rei dos Reis, pois mesmo que numa dose limitada, a justiça ainda funciona.

            Quando o profeta Jonas se ressentiu com a misericórdia de Deus sobre a cidade de Nínive, o Senhor respondeu ao profeta amargurado: “...não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?” (Jonas 4.11)
Se o SENHOR pensou em 120 mil ninivitas, como Ele deixaria perecer essa nação com mais de 200 milhões, que através dos séculos vem sendo preparada para ser uma bênção em toda terra? O SENHOR não vai nos abandonar.
 
            Deus te abençoe, meu Brasil. Conte com as minhas orações, meu amor e minha incessante luta, para que sejas livre pelo verdade do Evangelho e leves essa liberdade para todas as nações.

            A serviço do Mestre,
            Pr. Jenuan Lira
           

           


sexta-feira, 8 de abril de 2016

A TRISTE IGNORÂNCIA DA SABEDORIA HUMANA

É tristemente engraçado ver um descrente falando das suas crenças. Sem saber como se posicionar diante da Verdade eterna, o incrédulo julga-se superior e livre, porque decidiu crer na descrença. Tal postura cabe bem nas palavras do apóstolo Paulo, quando discorria sobre os falsos mestres:  pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações” (1 Timóteo 1.7).

            Há pouco, me deparei com um texto escrito por um professor agnóstico, dos Estados Unidos. Fui atraído imediatamente pelo título curioso: Deus é uma pergunta, não uma resposta. O propósito do autor é mostrar a fraude de todas as certezas e crenças, especialmente a dos que se dizem certos de que Deus existe.  Quem tem tal certeza, diz o professor, está revelando um espírito presunçoso, irredutível e arrogante. Afinal, se Deus existe e é um Deus de amor, como dizem os cristãos, Ele jamais irá exigir certeza acerca de Si mesmo. Isso seria uma exigência impossível, pois não podemos jamais chegar ao pleno conhecimento da realidade, nem sobre Deus, nem sobre qualquer outro possível fato. Esse é o fundamento agnóstico: ninguém pode ter certeza, pois para estar certo, o homem precisa se apropriar de verdades absolutas, supostamente alcançadas pelo conhecimento. Mas visto que o conhecimento autêntico é inalcançável, a porta da certeza permanecerá sempre fechada à humanidade.

            Lendo o dito professor de filosofia, não tive como não me lembrar das palavras do apóstolo Paulo: Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo...” (Colossenses 2.8). O termo enredar, usado no Novo Testamento somente nessa passagem, vem de um vocábulo grego que significa ‘levar cativo, ou tomar como presa’. E devo confessar que precisei ler várias vezes e considerar atentamente as entrelinhas do texto, a fim de não ser eu mesmo levado cativo pelo jogo interessante do raciocínio filosófico. E olhem que eu já sou um ‘velho’ às portas de completar meio século de vida (... é o novo??), com vinte e cinco anos de intenso estudo e ensino da Palavra, tendo lido toda a Bíblia pelo menos 40 vezes; sem contar que, mesmo antes de assumir o pastorado, já me ocupava no estudo e transmissão da Bíblia. Enquanto lutava com o texto, pude sentir, uma vez mais, a força da sedução intelectual envolvida na isca de um raciocínio bem elaborado. Uma vez mais ficou claro quão escorregadio é o caminho da ‘sabedoria’ humana, pavimentado pelas chamadas ‘contradições do saber’(1 Timóteo 6.20).  O raciocínio humano seduz pelo que diz, e aprisiona pelo que não diz. A conclusão? Todos podemos ser enredados. A sanidade mental de qualquer pessoa depende da graça de Deus, que, por meio da iluminação Seu Espírito, faz raiar a luz da Revelação nas trevas da nossa alma.
 
            Uma vez livres da armadilha, aos poucos, podemos perceber o raciocínio falacioso do agnosticismo. A conversação poderia ir na seguinte direção: “Então, senhor agnóstico, é impossível ter certeza de qualquer coisa? O senhor pode me explicar como tem certeza disso...? O senhor está me dizendo, com certeza, que não se pode ter certeza?”.  Nesse ponto, revela-se o problema da inconsistência no raciocínio. Na verdade, quando as ideias não batem com a realidade, o raciocínio gira em círculo; e o pensador, com todo respeito, se assemelha ao cachorro tentando pegar o próprio rabo. Dizendo de outro modo: O agnosticismo, para ser verdadeiro, tem que negar a si mesmo, pois terá que defender a certeza da incerteza. Novamente isso nos leva a Paulo, que diz: “...se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo” (2 Timóteo 2.13). Deus não nega a Si mesmo, porque Ele é real.

            Para ser bem claro quanto ao pensamento do professor, ele não tem coragem de negar diretamente a existência de Deus, mas declara que, se Deus existe, é impossível conhecê-lo. Por isso, ‘Deus é uma questão, não uma resposta’, como está no título do texto. Tendo tal crença, o autor não mede palavras para mostrar sua apreciação e reverência pelo “deus dúvida”. Sem cerimônia, o autor se curva perante a incerteza e presta tributo à dinâmica da busca eterna, que não espera chegar a lugar nenhum. Em suas próprias palavras, a dúvida é permanente, as respostas são temporárias’. E para mostrar que está em boa companhia, o professor cita Herman Melville, de quem foi dito: “Ele nem consegue crer, nem fica confortável com sua descrença, sendo suficientemente honesto e corajoso para não tentar fazer nem uma coisa nem outra”. Pode até ser honesto, mas é desesperador. Admiro a honestidade para assumir sua dificuldade de crer, mas reprovo a resignação humanista que faz o incrédulo deixar por isso mesmo.

            Já que estamos falando de sabedoria e conhecimento, que tal chamar Salomão para participar do debate? Além de ser conhecido como o homem mais sábio da história humana, Salomão também tentou vencer as incertezas existenciais, usando sua própria capacidade investigativa. O livro de Eclesiastes é o testemunho dessa busca. O famoso rei de Israel decidiu se lançar à aventura de desvendar a teoria do todo, querendo encontrar razão e sentido que pudessem abranger a realidade em suas múltiplas facetas. Na sua busca filosófica, Salomão estava pronto a lançar mão de qualquer possiblidade, desde que Deus ficasse fora da equação. E assim o fez, somente para fechar sua pesquisa com a triste constatação: “Banalidade de banalidade... tudo é vazio”. Em Eclesiastes, Salomão é um homem que despreza as certezas reveladas, pois deseja estabelecer a sua verdade. Ele não quer ser um ‘tolo’, para aceitar as certezas divinas. Ele se julga sábio demais para depender de Deus.

            Salomão não chega a lugar nenhum, à parte de Deus, mas o registro da sua angústia é instrutivo. Por exemplo, ele afirma que o espírito curioso do homem é dado por Deus, para que o homem reconheça sua limitação e volte-se para o Criador. Em 1:13, Salomão diz que Deus coloca sobre o homem o enfadonho trabalho de esquadrinhar a realidade, apenas para descobrir que Aquilo que é torto não se pode endireitar; e o que falta não se pode calcular” (Eclesiastes 1.15). Dessa maneira, cansado de correr sem chegar a lugar nenhum, o homem sensato se humilha e diz: “Tudo bem, SENHOR. Eu me rendo. Estou pronto para seguir o Seu caminho, pois o meu não deu em nada... gastei meus esforços correndo atrás do vento”.

            Se os ‘fortes’ deste mundo querem continuar se deleitando na ‘doçura da dúvida’, que o façam. Eu não tenho essa força, nem quero ter. Da minha parte, está resolvido: para todos os dilemas, perplexidades e anseios existenciais, Deus é resposta. Se isso não satisfizer os inteligentes deste mundo, só tenho uma outra alternativa: Deus de novo!!

            A serviço do Mestre,

            Pr. Jenuan Lira.
           


domingo, 27 de março de 2016

PORQUE ELE ESTÁ VIVO

Estando elas possuídas de temor, baixando os olhos para o chão, eles lhes falaram: Por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou...
(Lucas 24.5-6)

            A ressurreição de Cristo é o eixo, em torno do qual gira toda a história. O mundo não seria o mesmo sem a ressurreição do nosso SENHOR.

A ressurreição de Cristo o torna incomparável. Esse fato dá um sentido especial a Suas Palavras e obras, de um modo que jamais seria possível, se ao terceiro dia o Seu túmulo não estivesse vazio. O apóstolo Paulo não está exagerando quando diz que a ressurreição é a base da fé cristã, pois “se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé;” (1 Coríntios 15.14).

Nos três anos de convivência com Cristo, os apóstolos presenciaram sinais e maravilhas impressionantes. Viram a autoridade de Jesus sobre a criação visível e invisível. Às ordens de Cristo, tudo se transformava: na doença brotava a cura, no mal surgia o bem, na tormenta nascia a paz, na morte se fazia a vida. Mas, apesar de serem coisas incríveis, não causaram tanto impacto na vida dos apóstolos como a ressurreição.

O escândalo da cruz era intransponível por si só. As horas que se seguiram ao Gólgota foram cheias da mais profunda tristeza e desesperança. O Raio de luz se apagara, pois como disseram os dois no caminho de Emaús, “Nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel” (Lucas 24.21). Esses perderam a esperança. É estranho que, depois de tudo que Jesus fizera à vista deles, seus olhos ainda estivessem impedidos de O reconhecerem (Lucas 24.16). Isso somente revela quão duro é o golpe da morte sobre a alma dos vivos. Jesus fizera grandes sinais, os quais ninguém jamais havia feito; Ele falou de maneira única acerca de Deus, a quem chamava Pai; Ele explicou as Escrituras claramente, mostrando como tudo que estava escrito se cumpria nEle. Mas... as trevas da cruz enterram todas as memórias. De que adiantam todas as maravilhas, se Ele está morto?

Por isso, quando as mulheres anunciaram aos onze a mensagem do anjo, que lhes explicou por que o túmulo estava vazio, “Tais palavras lhes pareciam um como delírio, e não acreditaram nelas” (Lucas 24.11). Era bom demais para ser verdade! Por isso, Pedro e João foram ao sepulcro e atestaram o fato. Não estavam alucinados. As evidências eram inquestionáveis, pois somente naquele primeiro domingo Jesus vai aparecer cinco vezes. Os apóstolos não tinham palavras para descrever o que estava acontecendo. Jesus tinha vencido a morte na história de outros, mas o que seria isso, se Ele mesmo fosse derrotado por ela?  A ressurreição de Cristo causou uma revolução na mente, no coração e na alma dos apóstolos e dos primeiros seguidores de Cristo.

Pensemos no caso de Maria Madalena. Como descrever a alegria dessa mulher? Ela tinha sido liberta por Jesus da escravidão de sete demônios. Passou a segui-lo até ao ponto de testemunhar a agonia da cruz e a tristeza de ver o corpo de Cristo depositado num sepulcro, cuja entrada fora lacrada com uma enorme pedra. Seu coração gemia e sua mente se despedaçava num dilema cruel. Esperando sem saber o quê, e andando sem saber para onde, Maria queria ao menos ter acesso ao corpo do Homem que lhe fizera o maior bem. Não nutria esperança de vê-lo vivo, apenas queria ungi-lo morto, como prova da sua gratidão. Ela sabia bem o que esse Homem lhe havia feito. Mas, ao chegar no local do sepulcro, ela tem a incrível surpresa de ouvi-lo chamar pelo seu nome. O corpo não fora levado, nem o homem que falava era o jardineiro. Maria estava aos pés do seu SENHOR ressuscitado. Ela deveria ter o coração muito forte, do contrário não teria resistido à emoção.

Por causa da certeza de que Jesus estava vivo, a história dos apóstolos passou por uma profunda transformação. Eles começam a refazer o caminho, pois as Escrituras passam a lhes fazer sentido. O que os sinais não fizeram a ressurreição faz. Os textos ‘obscuros’ do Antigo Testamento começam a fazer sentido, pois até aquele momento “ainda não tinham compreendido a Escritura, que era necessário ressuscitar ele dentre os mortos” (João 20.9). Depois da ressurreição, as Escrituras passaram a ser a bússola das suas vidas. Com isso, ganharam certeza, poder e ousadia. Nenhuma força humana ou espiritual sobre-humana era capaz de detê-los. Desse ponto em diante, eles têm apenas um objetivo: “ir por todo mundo e anunciar o evangelho a toda criatura”. Essa disposição era perigosa e poderia lhes custar a vida. E daí? Que peso tem a morte para quem tem certeza de que vai ao encontro de Cristo? Se não fosse pela missão de fazer Cristo conhecido entre as nações, todos eles teriam preferido “partir e estar com Cristo, que é incomparavelmente melhor” (Filipenses 1.23). Imagino que, ao final dos quarenta dias, quando Jesus está se despedindo dos Seus amigos, lá no fundo eles tinham o mesmo desejo do ex-endemoninhado geraseno, que pedia ao SENHOR que o deixasse estar com Ele (Marcos 5.18). Jesus não o levou consigo porque o homem tinha uma missão a cumprir: “Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti” (Marcos 5.19). A partir desse ponto, a vida dos apóstolos passa a ter o seu referencial na Pessoa e obra do SENHOR. Por isso, saem pelo mundo, lutando contra homens e contra anjos, anunciando as boas novas. O máximo que poderia lhes acontecer era os homens matarem o seu corpo. Para resolver esse risco, eles lembravam das palavras de Cristo: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (Mateus 10.28). O que esses homens fizeram durante o império Romano não tem explicação, senão pela força da ressurreição de Cristo. Eles literalmente “transtornaram o mundo” com o Evangelho (Atos 17.6). Depois da ressurreição, era impossível parar os apóstolos. É impossível deter uma pessoa, cuja fé desafia a própria morte. A ressurreição fez isso com os apóstolos. Quando o Sinédrio e, depois, o imperador romano se levantaram para calar os apóstolos sob a ameaça da morte, eles voltavam para as Escrituras, que agora entendiam bem, e zombavam da morte, dizendo:
Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1 Coríntios 15.54-55).

            Que a ressurreição de Cristo mude a nossa vida, restaurando nossa esperança e certeza da fé...
            Fui desprezado, mas Ele está vivo.
            Sofri uma grande perda, mas Ele está vivo.
            A vida não está fazendo o menor sentido, mas Ele está vivo.
            Não sei o que fazer, mas Ele está vivo.
            Nesse mundo, tudo perdeu a graça, mas Ele está vivo.
            Estou envelhecendo, mas Ele está vivo.
            A doença está me consumindo, mas Ele está vivo.
            Estou às portas da morte... então estou a um passo da casa do Pai, porque Ele está vivo.
             Então, já que Ele está vivo, não tenho outra opção, exceto dizer como Tomé:

Senhor meu e Deus meu!” (João 20.28)

A serviço do Mestre,
Pr. Jenuan Lira.




sábado, 19 de março de 2016

EIS O VOSSO REI... VOCÊ O CONHECE??

“Não temas, filha de Sião, eis que o teu Rei aí vem, montado em um filho de jumenta.” (João 12.15)

O Domingo de Ramos, data do calendário litúrgico cristão, comemora o evento da Entrada Triunfal de Cristo. A designação desse dia faz referência à maneira como o povo recepcionou o SENHOR Jesus, cortando ramos de árvores e pavimentando Seu caminho até a entrada no templo.
A cena é pitoresca, estranha e enigmática. Que rei entraria triunfalmente montado em um filho de animal de carga? Aos olhos naturais, isso não faz o menor sentido! Normalmente não é assim que os reis do mundo se apresentam em suas 'entradas triunfais.' As aparições históricas de reis e governantes, geralmente se destacam pelos belos cavalos em que os poderosos aparecem montados. No famoso quadro do grito de independência do Brasil, às margens do Ipiranga, o cavalo é mais imponente que o imperador. E assim era o padrão antigo. Por isso a cena em Jerusalém soa tão dissonante. Esse Rei não veste roupas finas, nem assiste em palácios. Não possui uma corte, nem tem um belo cavalo para destacar Sua realeza. Ele anda a pé, exceto quando pede emprestado um jumentinho, a fim de cumprir a vontade do Pai.
Jesus é realmente um Rei diferente. Sendo o SENHOR dos céus e da terra, fez-se servo de todos. Sendo o Criador e Sustentador de tudo que há, viveu dependendo das Suas criaturas. Sua humildade é tal que, quando ordenou que fossem buscar o jumentinho, deu a seguinte ordem aos discípulos: “Se alguém vos perguntar: Por que o soltais? Respondereis assim: Porque o Senhor precisa dele.” (Lucas 19.31) É difícil imaginar... O Criador do universo precisar de um jumentinho?
Toda a estranheza que cerca a Entrada Triunfal se explica pela realidade espiritual que se esconde por trás da superfície. Nesse momento, as Escrituras estão se cumprindo e o plano redentor elaborado por Deus está às portas de atingir mais um estágio decisivo. Deus estava confirmando a Sua Palavra e revelando Sua misericórdia.
Um Rei montado em um jumentinho não era o que os judeus esperavam, mas era o que Deus queria. Assim, quando a multidão clamou, “Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor”, de certa forma, estava agindo contra sua própria vontade. Mas não tinha escolha, pois “a Escritura não pode falhar.”
No final daquele semana, a cena muda drasticamente e a mesma multidão que o aclamou Rei Bendito, agora clama a plenos pulmões: “Crucifica-o! Crucifica-o!”. Eles não queriam se identificar com o Rei do jumentinho. A glória divina não lhes interessava se não fosse embelezada pela 'glória' humana.
O mundo não mudou. O coração humano deseja uma 'entrada triunfal', mas não suporta o 'jumentinho.' A humildade do SENHOR, que é a base da Sua grandeza, é rejeitada pelo homem natural.
Como ainda vivemos nesse mundo distorcido e lutamos, nós mesmos, com as nossas próprias distorções, devemos cuidar, pois no 'domingo de ramos', em meio à multidão eufórica, poderemos aclamar Jesus como Rei Bendito, mas no final da mesma semana, em meio às pressões e perigos, talvez estejamos ao lado de Pedro declarando com veemência: “Nunca o conheci!”



A serviço do Mestre,
Pr. Jenuan Lira

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

O PERIGO DA FRIEZA ESPIRITUAL

Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão.” (Apocalipse 13.11)


            A batalha de um pastor americano no estado de Michigan tem chamado a atenção da mídia, pois ele decidiu ‘entrar numa fria’, literalmente. Ele é um ministro da Igreja Metodista  Unida, e resolveu dormir 175 dias em uma barraca ao ar livre, como forma de protesto porque sua igreja se recusa aceitar o casamento e a ordenação de membros da comunidade LGBT. A empreitada não é fácil, principalmente se considerarmos que em Michigan o inverno rigorosíssimo derruba as temperaturas a muitos graus abaixo de zero.
           
O dilema do pastor Michael Tupper começou há seis anos, quando sua filha Sarah lhe confessou que era lésbica. Mas a situação se tornou crítica ano passado, porque Sarah lhe pediu para realizar seu casamento com outra mulher, que ela encontrara enquanto cursava uma conhecida faculdade cristã em Chicago. Como diz o próprio pastor, ele “não podia dizer não para sua filha.”  Por isso, a Igreja tomou a posição afastá-lo do ministério. Resoluto em defender a nova modalidade de casamento, pastor Tupper decidiu dormir no frio, como uma forma de representar o que a Igreja está fazendo com membros da comunidade LGBT.
           
            Levantando a bandeira da inclusão, tolerância e amor ao próximo, o pastor parece um cordeiro, mas ‘fala como o dragão.’ Deliberadamente, resolveu esquecer as palavras do próprio SENHOR Jesus que perguntou aos fariseus:  “Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne?” (Mt 19.4–5). Muito provavelmente o pastor Tupper vai afirmar que já leu essa passagem, o difícil vai ser convencer que a entendeu. Outra possibilidade pode ser que tenha entendido, mas seguramente não aceita que tais palavras têm autoridade divina. É difícil dizer o que é pior.

            O pastor de Michigan e todos os que torcem as Escrituras, a fim de desfazer Sua autoridade e direito de determinar nossa doutrina e prática, vivem uma terrível crise de falta de discernimento. Na sua cegueira mental e espiritual, procuram defender a inclusão usando a exclusão, e brigam pela tolerância sendo intolerantes. Mesmo que não tomássemos a Bíblia como nosso padrão ético e moral, o que seria perigosíssimo, apenas uma pitada de raciocínio sadio seria suficiente para desmontar a argumentação do movimento LGBT. Se a briga é para que se tenha tolerância com os que pensam diferente, por que o movimento pró-homossexualismo não aceita os que pensam diferente?  A questão, na verdade, não é falta de tolerância. O movimento LGBT não quer ser tolerado, seu alvo é que a sua  doutrina seja abraçada como norma da sociedade, e que os demais não sejam tolerados.  Se os líderes gays desejam liberdade de expressão para defender suas idéias, por que os pregadores da Palavra não podem usufruir dessa mesma liberdade e ensinar o que a Bíblia diz sobre o assunto?

            A verdadeira Igreja de Cristo precisa clamar ao SENHOR por discernimento espiritual, pois essa é a nossa verdadeira crise. Perdemos a nossa fé nas Escrituras Sagradas, e agora não sabemos mais o que é certo ou errado. Tateamos num mar de trevas, usando palavras certas, revestidas de significado  errado. Sem um acurado senso crítico para conferir ‘coisas espirituais com espirituais’ (1 Coríntios 2.13), ficaremos confusos com palavras e até textos bíblicos usados erradamente para afirmar o contrário do que dizem.

            A solicitude do pastor em favor da filha ‘rejeitada’ pela Igreja certamente toca os corações. Provavelmente, em breve ele será aclamado com um pai amoroso, um homem que não deixa o preconceito destruir a unidade familiar. Da perspectiva bíblica, tal pastor jamais poderia ser exemplo de um pai amoroso, pois quem ama exorta e corrige os filhos. No conceito bíblico, Pr. Michael lembra o velho sacerdote Eli, que resolveu honrar mais os filhos do que a Deus. Perdeu os parâmetros da verdade e não tinha mais o menor discernimento. Infelizmente, não só o pastor, mas a grande massa evangélica dos nossos dias é tão desprovida de discernimento quanto o povo de Nínive, que não sabia “discernir entre a mão direita e a mão esquerda.” (Jonas 4.11).

            O final dessa história ‘fria’ ainda não sabemos. É bem possível que o ´protesto gelado´ do pastor em favor do movimento LGBT surta o efeito que esperado, e ele logo retorne ao calor da sua cama. Mas uma coisa é certa: se sua causa fosse em favor do discernimento espiritual e o retorno das igrejas evangélicas aos padrões bíblicos, suas chances seriam poucas. No máximo ele ganharia menção no Guiness Book como o primeiro pastor-picolé da história da Igreja. Maior frieza espiritual é impossível.

            A serviço do Mestre,

            Pr. Jenuan Lira

sábado, 20 de fevereiro de 2016

DEUS, O BRASIL E A ZIKA

O Senhor te ferirá com a tísica, e a febre, e a inflamação, e com o calor ardente, e a secura, e com o crestamento, e a ferrugem; e isto te perseguirá até que pereças.” (Deuteronômio 28.22)

            A história é o testemunho pleno de que “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada.” (Salmo 115.3) Na Sua infinita soberania e poder, Deus determina o destino de todas as coisas. Desde os astros na imensidão do espaço, aos monstros que habitam as profundezas. Entre uns e outros, o SENHOR cuida das aves do céu e decreta a história dos grandes impérios, pois “segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Daniel 4.35)

            Tomando como base o fato da soberania de Deus sobre todas as coisas, não é fora de propósito perguntar: “Como o SENHOR fala a um mundo que não suporta a Sua voz?” As possiblidades são diversas, mas parece que a linguagem do juízo é uma forma mais frequentes de Deus se apresentar ao homem rebelde. Quando o homem segue obstinado apesar dos anúncios de juízo, o SENHOR estende a Sua mão, causando catástrofes naturais, entre as quais as pandemias. Por meio dos ‘Seus agentes’ invisíveis, Deus aniquila a sabedoria humana, revelando que ‘todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade’ (Salmo 39.5).

            Enquanto o Brasil segue desesperado na luta contra o aedes aegypti, não posso deixar de lembrar que, como se vê na história de Israel, existe uma ligação direta entre o temor do SENHOR e a saúde do Seu povo. Se Israel andasse conforme as ordenanças do SENHOR, teria uma vida mais saudável, pois: “... nenhuma enfermidade virá sobre ti, das que enviei sobre os egípcios; pois eu sou o Senhor, que te sara.” (Êxodo 15.26) 

            Vendo o ‘Gigante por Natureza’ dominado por um mosquito, ‘insignificante por natureza’, o capítulo de Deuteronômio 28 ganha cores vívidas. Por exemplo, vejo que nossas autoridades estão literalmente feridas com loucura, cegueira e perturbação de espírito (v.28). Dizem que o mosquito prolifera na água parada, mas os rastros da sua passagem como a microcefalia (será...?) surgem no sertão nordestino, onde falta água parada até para o consumo da população.
           
            O caos social antecipado em Deuteronômio 28 está instalado no Brasil. Pelo visto, os agentes do mundo da microbiologia decidiram imitar os ‘cabeças da democracia’ e o resultado são mutações dissimuladas que procuram resistir e escapar de todas as medidas para debelar o mal. Os vírus estão em associação para o crime. Seguindo o modelo dos homens, decidiram também trapacear, mudar as leis e se agregar em composições fisiológicas abomináveis, produzindo desordem e doença por toda parte.

            Pode soar estranho, mas acho que o zika vírus faz menos mal que os outros parasitas que transtornam a nação. Enquanto o mosquito causa dor no corpo e manchas na pele, os nossos líderes fazem adoecer a alma do povo. Salomão diz “A justiça exalta as nações, mas o pecado é o opróbrio dos povos.” (Provérbios 14.34) Enquanto a corrupção drena o último fôlego de vida do país, o poder executivo procura resolver seus erros transtornando o povo, pois “O rei justo sustém a terra, mas o amigo de impostos a transtorna.” (Provérbios 29.4)

            Um velho e sábio missionário, que já foi promovido à glória, costumava dizer, quando pessoas lamentavam sob o peso da injustiça: “O moinho de Deus moi devagar, mas moi bem fininho.” Pelo que vejo diria que o zika é apenas uma nuvenzinha de poeira. Dentro de pouco tempo o Brasil vai ficar coberto de pó.
            A serviço do Mestre,
            Pr. Jenuan Lira