O que parecia
uma infecção simples começou a complicar. O contra-ataque dos antibióticos via
oral não conseguiu barrar a ação bacteriana. Ao perceber que o surgimento de
grandes áreas vermelhas e duras em diferentes partes do corpo, os médicos não
tiveram dúvida: o risco de choque séptico era altíssimo, portanto a internação
era urgente. Foi tudo tão de repente que, quando soubemos, já havia dias que a
irmã estava no hospital. Depois de vinte e um dias recebendo doses intravenosas
de potentes antibióticos a cada quatro horas, a irmã já se mostrava bem mais
disposta. “Pastor, eu não estava sentindo nada, quando notei esse vermelhidão
na coxa. Foi preciso uma cirurgia para a retirada da secreção. Os médicos
ficaram assustados e se empenharam para achar o primeiro hospital onde houvesse
vaga. Agora está muito melhor, mas a minha coxa direita ficou dura como um
pedaço de madeira ”.

Na
sábia reflexão da irmã, reportei-me mentalmente ao livro recentemente lido
acerca de José Alencar. Uma das palavras que sempre aparecia nas suas
entrevistas ao repórter que registrou sua luta ao longo de cinco anos foi:
humildade. Não sei se ao longo dos anos, quando se tornou um dos homens ricos
do Brasil, Alencar pensou muito nisso. Mas agora, caminhando no limiar entre a
vida e a morte, tendo tudo que alguém podia desejar nessa vida, mas sem
recursos para modificar o seu quadro crítico, ele podia ver seu real tamanho...
“...chego à conclusão que, à medida que vai passando o tempo, a gente vai se
engajando cada vez mais com o compromisso de pedir a Deus humildade. Eu tenho
pedido humildade...”.
Principalmente
em tempos de enfermidades, fica ressaltada a fragilidade humana. Caem as
suposições e a realidade mostra sua face. Nessas horas, a velha pergunta, que
tanto preocupou os pensadores, volta com toda força: Quem somos nós? E a
resposta é sempre humilhante, pois a enfermidade que afeta o nosso corpo indica
quão insegura é a nossa vida. A debilidade do nosso corpo elimina qualquer
resquício de autossuficiência. Desse modo, embora às vezes sem querer,
terminamos concordando com Abraão “somos pó e cinza”.
Se
por meio da enfermidade aprendermos que nada somos e dependemos totalmente do
Senhor, podemos afirmar que a ferida no corpo é cura para a alma. E nisso, Deus
há de ser glorificado.
Diante
da realidade da nossa inescapável fragilidade, muitos preferem viver de
aparências, enganando a si mesmos. Investem grandes somas de tempo e dinheiro a
fim de embelezar o corpo passageiro, deixando de lado o
espírito eterno. E assim seguem uma doce e perigosa ilusão, sem considerar a
verdade de que “todo homem, por mais firme que esteja é pura vaidade ”(Sl.
39.5).
Na
saúde Deus nos mantém, na doença Ele nos sustenta. Sadios ou doentes somos
dependentes dEle, e o melhor é aquilo que O glorifica. Nada somos, Deus é tudo.
A
serviço do Mestre,
Pr.
Jenuan Lira.