sexta-feira, 1 de julho de 2016

AS CELEBRIDADES DE BABEL

Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra.” (Gênesis 11.4)

            A dispersão dos povos em Babel não foi gratuita. Ali tem muito mais do que parece à primeira vista. Babel foi a primeira manifestação organizada e coletiva de humanismo. A idéia de construir uma cidade e uma torre foi uma forma de evitar que ‘sejamos espalhados.’ Tal plano era o oposto do que Deus havia determinado. Desde o princípio a vontade de Deus era que o homem crescesse, multiplicasse e enchesse a terra. Babel também era um monumento à autonomia humana. Por meio daquela torre-templo, os homens queriam desafiar o projeto divino e fazer história. Uma frase resume bem as motivações dos corações envolvidos naquele projeto: “Tornemos célebre o nosso nome.”

            Desde o Éden, os homem sonham em ter seus nomes na calçada da fama. Figurar no rol das celebridades é o desejo do nosso coração egoísta. Os meios podem ser variados, mas no final o propósito é o mesmo: fazer o nosso nome célebre.

            É interessante fazer um paralelo entre Babel e os nossos dias. Se repararmos bem, os homens estão tentando reverter o processo de dispersão determinado por Deus. Com a internet, google tradutor (que às vezes está mais para ‘traidor’) e outras novidades virtuais, todo mundo pode falar com todo mundo. É certo que para tentar desfazer o que Deus fez em um instante, o homem precisou trabalhar alguns milênios, mas agora começa a colher os frutos. Portanto, se estamos chegando ao ponto ‘pré-Babel’, está novamente aberta a temporada para quem deseja fazer grande o seu nome.

            Ao pé da Babel virtual, ninguém é comum. Basta poucos momentos passeando no facebook, e, logo, notaremos que à nossa volta já não mais existem meros mortais. No face, instagram e em outros territórios virtuais, cada um pode ter sua calçada da fama particular. Até um espirro é motivo para uma selfie. Seria mais ou menos assim... “Gente espirrei. Foi demais... depois posto um vídeo sobre como dar o melhor espirro do mundo... tipo assim... blz ” Um mundo de tecnologia, para um mar de bobagem!

Na era das celebridades, até os atos mais comuns, rotineiros e de nenhuma importância para os outros, precisa ser anunciado ao mundo. No facebook, por exemplo, tudo é o máximo: eu tenho os melhores amigos, faço as mais incríveis viagens, frequento os ambientes mais badalados, como nos melhores restaurantes, tenho a família perfeita. Verdade? Nem tanto. Há muito de propaganda enganosa, tudo de mentirinha, mas o importante é aparecer. Pelo menos no mundo de faz de conta, posso me sentir um rei.

            Olhando com cuidado, parece que a frustração de Babel continua atravessada na garganta da humanidade. Deus interferiu no sonho dos homens, que não gostaram dessa intervenção divina. Seguindo o projeto dos arquitetos de Babel, o homem poderia vencer sua últimas fronteiras, chegando ao céu sem Deus. Seria um feito heróico, que tornaria aqueles homens em ‘super-homens.’ Se o plano tivesse sido executado, no museu de Babel certamente teria um placa na entrada: “Você está entrando no monumento que prova que os homens não dependem de Deus. Por meio desse edifício, os homens invadiram o céu e saquearam a glória do Criador.”
 
            O espírito de Babel não tem nada a ver com o Espírito de Deus. Por favor, não esqueça isso! Enquanto o espírito de Babel diz que devemos continuar fazendo monumentos de marketing pessoal, que tornem célebres o nosso nome, o Espírito de Deus nos constrange a declarar: “Convém que Ele cresça, e eu diminua.” Essas são as palavras e as imagens que brotam nas postagens dos que entendem que a glória pertence somente a Deus. Quando vivemos para tornar o Nome de Cristo adorado em toda terra, dos nossos corações não brotam fantasias, nem temos a soberba como um colar (Sl. 73.6-7).

             No campo semântico da palavra hebraica que traduzimos por ‘glória’ está a idéia de peso. Assim, a glória de Deus é também o ‘peso de Deus’, com a expressão apontando para a excelência, honra e majestade do SENHOR. Gosto de relacionar o conceito de glória com o de peso, para nunca ter a ilusão de que sou capaz de suportar a glória. Em um momento pessoal de luta com Deus em favor de Israel, Moisés pediu a Deus para ver a Sua glória. Deus não permitiu que Seu amigo, Moisés, sequer contemplasse Sua glória, pois isso lhe seria fatal. Moisés não suportaria o ‘peso’ de Deus. Por isso o SENHOR lhe disse: “Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da penha e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado.” (Êxodo 33.22).

Querer a glória é querer ser Deus. Portanto, por menor que seja a parcela de glória que nos toque, ainda é pesada demais para nossa estruturas, que não passa de pó e cinza. Quer ser esmagado? Então, cobice a glória de Deus.  

            O passar do tempo não curou o homem do mal de querer continuar construindo torres e castelos, a fim de serem celebrados. Como foi em Babel, também será com as apresentações modernas da soberba humana. E quando o SENHOR descer para vindicar Sua glória, não vai ficar ‘face’ sobre ‘face’.

Deixemos a glória a Quem de direito: ‘Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro’ (Ap. 5.13).

            A serviço do Mestre,

            Pr. Jenuan Lira. 

sábado, 25 de junho de 2016

O MELHOR DESCANSO

Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados,
e eu vos aliviarei.” (Mateus 11.28)

            Cheguei em casa por volta das 23:00, depois de um longo dia. A oportunidade de pregar naquela conferência missionária foi um prazer, mas o corpo e a mente estavam cobrando seu preço. Enquanto já me preparava para deitar, não resisti à tentação e resolvi ler os últimos e-mails do dia. Para minha ‘surpresa’, o diretor do mestrado educadamente me fez lembrar de algumas tarefas atrasadas (‘ele nunca esquece...’) e as penalidades previstas para os atrasados. A princípio, vem aquele pensamento perigoso de autocomiseração... ‘Isso não é justo. Ele pensa que eu atraso sem motivo? Será que ele não sabe que tenho muitas responsabilidades?’ Depois, vem a sensatez... ‘estou reclamando de quê...?’ Não tinha o que reclamar. Decidi fazer esse curso por entender tratar-se de uma excelente ferramenta para o ministério. Ninguém me obrigou a tal. Então, só me restava uma opção: sentar até às 2 da manhã, a fim de colocar algumas tarefas em dia. Ainda tinha o que fazer, mas não dava para ir além. Logo cedo deveria estar de pé para recepcionar os pastores que vinham para uma reunião de dia inteiro, sem esquecer que a noite a ‘luta’, isto é a conferência, continuava.

Desde que Adão tornou nosso trabalho árduo, cumprir nossas responsabilidades em meio ao ‘suor do rosto’ é uma condição inescapável. Ou seja, precisamos estar prontos para o e cansaço e aprender logo a lidar com o esse fato da vida de uma maneira bíblica.   

Indo direto ao ponto, minha tese é a saída para o cansaço da vida é Cristo. Sabendo bem o que significa trabalhar duro ‘antes que chegue a noite, quando ninguém pode trabalhar’, o SENHOR Jesus nos chama para o Seu descanso, pois Ele conhece a nossa estrutura e ‘sabe que somos’. É gratificante saber que o nosso SENHOR se preocupa em nos dar descanso integral, quando os fardos da vida estão além das nossas forças. Ele fez isso com Seus discípulos nos dias do Seu ministério terreno: “E ele lhes disse: Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto; porque eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham.” (Marcos 6.31)

Não há dúvidas de que o descanso oferecido por Jesus a pecadores cansados e sobrecarregados, embora se dirija em primeiro lugar ao coração, terá reflexos no corpo. Somos seres integrais, indivisíveis. Um corpo exausto, tende a carregar um coração também exausto, abatido e sem esperança. Mas o inverso é também verdadeiro, afinal,  “O coração alegre aformoseia o rosto...” (Provérbios 15.13). A alma alegre em Cristo, vence o desânimo que pode nascer do cansaço físico.

Correr para o descanso de Cristo é necessário sempre, mas se torna urgentíssimo quando estamos sufocados pelo excesso de trabalho. Trabalhar é uma bênção e um dever bíblico, mas quando, por algum motivo, precisamos trabalhar além do que normalmente somos capazes, colocamo-nos em situação de perigo espiritual. A razão é que, quando estamos fisicamente cansados, o que não é raro nesses dias de vida agitada, ficamos mais susceptíveis ao pecado. Não raro, nesses momentos, nosso coração enganoso nos diz: “Você trabalhou muito. Não seja tão exigente agora. Você merece relaxar um pouco.” Com certeza, não é pecado relaxar um pouco, a fim de refazer as forças. O problema é relaxar demais, descuidar da vigilância espiritual, baixar a guarda quanto aos perigos do pecado. O corpo pode até relaxar, mas a carne, o mundo e o diabo nunca relaxam. Por isso o conselho do apóstolo Paulo é tão propício: “Depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis” (Ef. 6.13)

            Um grande benefício de corrermos para Cristo na hora da exaustão física é o refrigério que nos vem por causa da incomparável paz do SENHOR, que guarda nossa ‘mente e coração’ em Cristo Jesus. O cansaço excessivo perturba nossa mente e, não raro, nos traz impaciência, ansiedade, medo e preocupação. Cria-se um situação delicada, pois a mente perturbada aproveita o corpo exausto e nos aprisiona. De repente, estamos num labirinto espiritual, sem perspectiva e sem futuro. Nossos olhos não conseguem enxergar um amanhã diferente e o desespero bate à porta. Um dos efeitos da mente perturbada, por exemplo, é a dificuldade em conciliar o sono. Mesmo quando conseguimos pregar o olho, o sono não é suave. Mas quando descansamos em Cristo, lançando sobre Ele todas as nossas ansiedades, nossa alma se liberta, o sono será sempre revigorante, pois... “Quando te deitares, não temerás; deitar-te-ás, e o teu sono será suave” (Provérbios 3.24)

            Cada vez mais a ciência médica nos ensina que devemos reconhecer a relação entre o corpo e a alma. As doenças psíquicas oriundas das dores emocionais e perturbações do coração ferido, terminam manifestando-se na pele, nos músculos e no sangue. Portanto, se aprendermos a correr para nosso Amigo Perfeito, sentiremos alívio no coração e no corpo...“O olhar de amigo alegra ao coração; as boas-novas fortalecem até os ossos.” (Provérbios 15.30)

            Minha impressão é que as coisas não tendem a melhorar. Vamos continuar correndo e vendo muito suor escorrendo do rosto. A vida nesse mundo caído vai continuar impondo sobre nós longas jornadas de trabalho. Portanto, aprendamos de uma ver por todas a correr para Aquele que nos leva para juntos ‘das águas de descanso.’ O peso da vida poderá curvar o nosso corpo, mas nunca poderá secar o nosso Espírito, pois conhecemos a Fonte de Água viva, onde nos refrescamos e renovamos nossas forças.

            Nada neste mundo pode nos ajudar a vencer completamente o cansaço da vida. Os entretenimentos trazem apenas paliativos, mas nunca serão uma fonte renovável de força e esperança. A descanso está em Cristo, e Ele pode ser encontrado na Sagrada Escritura. Basta não sermos rebeldes, como foi Israel... “Assim diz o Senhor: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma; mas eles dizem: Não andaremos.” (Jeremias 6.16)

Como é bom saber que em Cristo posso ter até descanso para o meu corpo. Assim, quem sabe,  conseguirei terminar meu curso!

A serviço de Mestre,


Pr. Jenuan Lira.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

NÃO PODEREIS SERVIR AO SENHOR

Então, Josué disse ao povo: Não podereis servir ao Senhor, porquanto é Deus santo, Deus zeloso, que não perdoará a vossa transgressão nem os vossos pecados.” (Josué 24.19)

            A abordagem de Josué pareceu muito estranha. Dizer que o povo não poderia servir ao SENHOR? Como? Logo Josué, o grande líder espiritual do povo, sair com uma proposta dessa...?   

            - ‘Mas vocês não estão entendendo...’, falou Josué com ênfase. – ‘Vocês não podem servir ao SENHOR. Isso não é brincadeira... é muitíssimo sério. Eu e minha casa já temos uma posição. Sabemos bem o que queremos, e vamos pagar o preço, mas vocês...’ concluiu Josué, deixando o suspense como resposta.

              - ‘Mas como não? Por favor, Josué...’, falou um líder do povo, apoiado pelos demais a sua volta - ‘...é isso que queremos...’.

Josué, então, foi mais claro: ‘Gente, não estamos falando de um deus qualquer. A Pessoa com Quem vocês estão querendo se comprometer é o Deus verdadeiro, santo e zeloso. Ele não se deixar escarnecer... Ele é fogo consumidor. Não há meio de servi-lo com coração dividido. É muito mais sério que vocês pensam.

- ‘Tudo bem...’, disse o povo,  ‘estamos entendendo a seriedade do compromisso. Mas é isso que queremos.’

O diálogo acima, baseado em Josué 24, parece uma contradição. Enquanto o Salmista diz ‘servi ao SENHOR’ com alegria, Josué taxativamente declara: “Não podeis servir ao SENHOR.” Ele, mais do que ninguém, deveria estar interessado em que o povo se comprometesse com Deus.  Por que age como se quisesse dissuadir a nação desse intento? 

Na realidade, Josué está usando uma expressão forte para que o povo entenda a grandeza do seu compromisso espiritual.... ‘De Deus não se zomba.’ De todas as lutas em que Josué anteriormente estivera engajado, nenhuma foi tão severa como a luta contra a falsa espiritualidade, pois essa é uma luta da alma. Tinha sido mais fácil  conquistar as fortalezas dos Cananeus, do que vencer a resistência de corações endurecidos (Pv. 18.19).

            Josué, um homem de Deus, notável por sua liderança política e espiritual, tem bastante discernimento espiritual. Por isso, a aparente reação favorável do povo não lhe empolga. Com sua longa experiência, Josué percebe que, novamente, o povo está tratando levianamente seu compromisso espiritual, fazendo um voto precipitado, esquecendo o a verdade ensinada por Salomão ...“Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra; portanto, sejam poucas as tuas palavras.” (Eclesiastes 5.2) 

            A história de Israel no Antigo Testamento está cheia de compromissos falsos. No momento do perigo, depois de um livramento grandioso ou mediante o apelo de um líder espiritual, o povo tinha a tendência de entrar em aliança com Deus, por pura empolgação. Não levavam em conta os termos do seu compromisso. Reagiam emocionalmente, lidando com Deus irresponsavelmente, como faziam uns com os outros... “Então, disse o profeta: Ouvi, agora, ó casa de Davi: acaso, não vos basta fatigardes os homens, mas ainda fatigais também ao meu Deus?” (Isaías 7.13). Temos a tendência de confundir o Deus santo, com os homens impuros. Tal confusão revela quão pouco conhecemos o SENHOR. Enganamos os homens e a nós próprios, criamos escapes para disfarçar nossa infidelidade e por algum tempo parece que estamos conseguindo, pois nada acontece. Não devemos jamais esquecer o que está escrito no Salmo 50.21: “Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te arguirei e porei tudo à tua vista.
           
Quando o nosso coração não é reto para com Deus, é melhor não fazer de conta que queremos servir ao SENHOR, pois está escrito: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.” (Gálatas 6.7)

 Nesse mundo de pessoas ‘amantes de si mesmo’ muitos querem levar a vida tocando flauta, como diz um antigo ditado popular.  O problema é que, quando estamos falando do relacionamento com Deus, a flauta vai ter mais buraco do que dedo. Com certeza a nota vai sair desafinada.

A serviço do Mestre,


Pr. Jenuan Lira

sexta-feira, 20 de maio de 2016

OS PRONOMES DE NOVA YORK... ‘ZE’ OU ‘HIR’: EIS A QUESTÃO!

Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei; e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de um tempo.” (Daniel 7.25)

            Os moradores de Nova York não tem opção: para se conformarem com a nova ordem, a população terá que adotar a desordem, e por força da lei. Os desobedientes serão sujeitos a pesadas multas. Se ainda resistirem, poderão ser presos sob a acusação de ‘desordeiros.’ 

            A novidade está ligada ao uso dos pronomes e títulos ‘corretos’, quando alguém se dirigir a pessoas que decidiram mudar de gênero e/ou de sexo. Alguns dos chamados ‘transgêneros’ preferem ser chamados por pronomes masculinos ou femininos, e a lei exige que devem ser respeitados na sua preferência. A determinação oficial da Comissão  de Direitos Humanos da Cidade de Nova York dirige-se, principalmente, a patrões, proprietários de imóveis e empregadores em qualquer ramo de atividade comercial ou profissional. Independente do sexo declarado na hora do nascimento, da anatomia, do gênero, da aparência, do histórico médico ou do sexo indicado nos documentos de identificação pessoal, os empregados e inquilinos devem receber o tratamento pronominal, que lhes assegura o direito de ser o que não são.

            A situação é muito confusa, porque alguns cidadãos ‘modificados’ são mais refinados e afeitos às últimas ‘tendências linguísticas.’ Já faz tempo que professores de gramática se reúnem para resolver o dilema dos pronomes. Ele/ela, dele/dela, o/a, senhor/senhora serviram bem até pouco tempo. Mas esse padrão de diferenciação binário fere a sensibilidade dos que abandonaram o que foram, não se tornaram o que queriam, e, agora, não sabem mais o que são, exceto que estão espremidos numa desconfortante posição entre o masculino e o feminino. Por isso, muitos linguistas e gramáticos resolveram acomodar a situação criando dois pronomes que não possuem a conotação genérica habitual. Trata-se do ‘ZE’ e do ‘HIR’, já adotados pela comunidade LGBT em muitas partes do mundo. Coitados dos pronomes! Ninguém vai advogar a causa deles? Uma classe gramatical indefesa, que sempre cumpriu tão bem seu papel de nos livrar da enfadonha repetição dos nomes, está agora pagando o pato da confusão gerada pela nova (i)moralidade. Começo a suspeitar que não vai sobrar ‘verbo sobre verbo’ que não seja destruído!

            A nova lei da cidade de Nova York é parte de um projeto muito maior. O espírito que atua no nosso mundo tem como propósito o despropósito, e a desconstrução é sua mais importante construção. Se dos escombros vai brotar algo, não vem ao caso. No momento, o alvo é ver as construções milenares da civilização cristã virem abaixo.

            Segundo as Escrituras, parte do plano do Inimigo para o estabelecimento do seu reino de trevas universal passa pela mudança de paradigmas. Como no verso de Daniel, acima, o Anticristo ‘cuidará em mudar os tempos e a lei.’ A invasão da mentalidade e das religiões Orientais prepara o Ocidente para pensar deferente. Há muito o movimento da Nova Era propõe que abracemos uma visão nova e holística, que será o diferencial da Era de Aquários. Nesse novo tempo anunciado, os tempos e as leis passarão por total transformação, e a filosofia religiosa da Nova Era causará profundas mudanças em todas as áreas da vida humana, desde sua relação com o meio ambiente, sua dieta e sua sexualidade. Flexibilidade e fluidez marcarão o passo da nova sociedade. A briga pelo ‘politicamente correto’ não ocorre no vácuo, mas faz parte do conjunto de ‘suavizações’ necessárias dentro do programa das trevas, que pretende se instalar no mundo. As mudanças estruturais precisam acontecer, incluindo mudanças na própria norma gramatical. Chamar o certo de errado, e o errado de certo é apenas mais uma maneira de abrir a mente das pessoas, a fim de evitar o preconceito.

            Desde a catástrofe da Segunda Guerra, o conceito da desconstrução tem sido o coração da doutrina ensinada nas universidades do mundo inteiro. Vendo a fina flor da civilização ocidental se digladiando nos fronts da guerra, os pensadores perderam a esperança em dias melhores. A idéia de ordem e progresso passou a ser uma meta inatingível, e o desespero foi a válvula de escape. Nada novo. O profeta Jeremias já havia dito:
Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do Senhor! Porque será como o arbusto solitário no deserto e não verá quando vier o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável.” (Jeremias 17.5-6)

            O inesperado e incrível está no ar... tempos estranhos, esses nossos. Os pronomes dos ‘modificados’ de Nova York não são o problema, apenas um sintoma. A grande meta é destruir tudo que está estabelecido e tem as marcas da eternidade. O motivo é simples: revolta contra o Eterno e Sua Eterna Palavra.
             
            O melhor retrato para nosso mundo é o que Salomão nos dá em Provérbios 4:19: “O caminho dos perversos é como a escuridão; nem sabem eles em que tropeçam.” (Provérbios 4.19). A famosa Nova York encarna bem o espírito do mundo... tudo é aceitável, e nada pode ser censurado. À morte, chamam vida; e à vida, morte. São o ápice da modernidade e da tolerância. Aliás, uma mesquita está sendo construída nas imediações do local da antigas Torres Gêmeas. Perdeu-se a completa capacidade de discernimento... e os aviões continuarão caindo sobre suas cabeças. Que pavoroso é o espetáculo da desconstrução!

            A serviço do Mestre,

            Pr. Jenuan Lira

sábado, 30 de abril de 2016

AINDA RESTA ESPERANÇA
Nossa alma espera no Senhor, nosso auxílio e escudo. Nele, o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo nome.” (Salmo 33.20-21)
            A cena dos pais pedindo oração por sua filha foi de quebrar o coração. Com lágrimas, falaram da triste situação, que foge a toda tentativa de achar no ocorrido algo que faça sentido. Tudo começou quando a filha mudou sua concepção acerca da fé cristã,  como havia aprendido na casa dos pais. Seguindo uma filosofia corrompida, a jovem concluiu que a maneira como lhe ensinaram a ler e interpretar as Escrituras estava errada. Ela concluiu que a Bíblia deve ser interpretada culturalmente, isto é, em cada cultura as pessoas decidem o significado das Escrituras. Assim, quando a Bíblia confronta o pecado, a pessoa simplesmente recorre para a explicação  de que ‘isso serviu naquela cultura.’ A jovem se tornou presa por sua nova hermenêutica, que lhe deu liberdade de fazer da satisfação do seu ego a razão da sua vida. O resultado foi o pior possível, pois a elevação do ego foi tamanha, que não sobrou espaço para o marido e os filhos. A jovem simplesmente esqueceu que era esposa e mãe, deixou o seu lar e partiu em busca do seu sonho.
            Ao sair da reunião, meu coração estava pesado, sentindo a dor daqueles pais. A grande questão era: como esse casal pode encontrar forças, motivação e alegria para prosseguir no ministério, quando as circunstâncias a sua volta são tão tristes? Como podem experimentar paz, sabendo que a filha está enredada na armadilha do pecado, tão cega pela amargura, que não consegue ouvir o choro dos próprios filhos que anseiam por sua volta?
Enquanto meditava na situação, Deus me trouxe à mente o Salmo 33. Este Salmo nos ordena a louvar o SENHOR por Sua Palavra, por Sua justiça e por Suas obras. É óbvio que o Salmo foi escrito a fim de trazer esperança ao coração do servo de Deus, que está em grande angústia, sentindo-se esmagado sob peso da provação. O Salmista chama nossa atenção para o grande poder de Deus exposto na criação,“Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir.” (Salmo 33.9) Diante de tal verdade, podemos perguntar: Existe algo que possa desafiar a capacidade do Deus Criador, que tudo fez pelo poder da Sua Palavra? Será que a dureza de coração de um filho rebelde é capaz de neutralizar o imenso poder de Deus? Mas isso não é tudo, pois o Salmista continua mostrando a autoridade do SENHOR sobre todas as nações, que simplesmente são impotentes para anular os desígnios de Deus, cujas determinações duram para sempre. Que notícia maravilhosa para meus amigos sofredores. Se todas as nações estão sob o controle de Deus, é óbvio que sua filha não pode fugir da jurisdição do Rei do universo. Além disso, o Salmista ainda acrescenta outra verdade consoladora: “O Senhor olha dos céus; vê todos os filhos dos homens...” Aquela jovem pode até pensar que nenhuma autoridade está olhando para ela, mas a verdade é que os olhos do SENHOR não se apartam dela. Que conforto nos traz a onipresença de Deus. E como se isso não bastasse, o verso 15 diz que Deus está no controle até do coração das pessoas. Ou seja, no momento que Lhe agradar, Deus pode mudar o coração de qualquer pessoa, transformando seus conceitos, mudando seus desejos e refazendo seus sonhos. Se isto é verdade, é claro que existe esperança.
Já fazem muitos anos, mas lembro como hoje. Eu estava vivendo um tempo de grande angústia. Um dia ouvi que meu antigo professor de teologia estava chegando na cidade e fui ao aeroporto para abraçá-lo. Ele sabia o que eu estava sofrendo. Nosso encontro foi muito breve, pois ele estava em trânsito. Acompanhei-o até o estacionamento, onde alguém o estava aguardando. Mais uma vez ele me abraçou, e se despediu com as seguintes palavras: ‘Se a crença na soberania de Deus não funcionar nessa situação, não serve para mais nada.’ Eu diria que essa foi a melhor aula de teologia propriamente dita que ele me deu. Por outro lado, eu nunca antes estivera tão pronto para receber instrução sobre o assunto. Eu saí ainda chorando por dentro, pois as circunstâncias não haviam mudado, mas a lembrança da soberania de Deus me deu paz para prosseguir. É exatamente isso que o Salmista está dizendo... ‘Nunca perca a esperança... Deus é soberano.
Quando, com a ajuda do Espírito de Deus, conseguimos tirar os olhos das provações e considerar a grandeza do poder e da justiça de Deus, nosso coração revive. Nesse momento, a luz brilha, a despeito das trevas que nos cercam; e começamos a sentir cheiro de vida, onde aparentemente reinava a morte. Podemos não ter felicidade, mas teremos alegria, pois passamos a esperar no SENHOR, que é o nosso auxílio e escudo. Aos poucos, deixamos de temer os perigos que podem nos sobrevir por causa do pecado dos homens, ou das estratégias de Satanás.  Logo, estaremos repetindo as palavras do Salmista: “Nele, o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo nome.” (Salmo 33.21)
 Muitas vezes, diante da grandeza da provação,  chegamos ao ponto de pensar que não existe mais esperança. Até que voltamos nosso olhos para o SENHOR e ouvimos as palavras de Cristo: “... Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.” (Marcos 10.27). O ditado popular diz que a esperança é a última que morre. Isso só é verdade se estivermos esperando em nós mesmos ou nos outros. Se esperarmos em Deus, nossa esperança jamais morrerá... Deus é eterno!


A serviço do Mestre,
Pr. Jenuan Lira




sexta-feira, 15 de abril de 2016

A MÃO DE DEUS E O IMPEACHMENT

Senhor, a tua mão está levantada, mas nem por isso a veem; porém verão o teu zelo pelo povo e se envergonharão; e o teu furor, por causa dos teus adversários, que os consuma.” (Isaías 26.11)

            Quer o impeachment se consume ou não, uma mensagem está sendo dado para os poderosos do Brasil e do mundo: “Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande?” (Lamentações de Jeremias 3.37). O abalo causado pela agitação do processo tem servido para colocar os arrogantes líderes do governo em seu devido lugar. De hoje até domingo, o senhor Luís Inácio Lula da Silva, por exemplo, recentemente autodenominado de ‘jararaca’, já não deve estar tão certo de que será atingido apenas na cauda. Mais e mais nos parece que a mão pesada da justiça avança em direção à cabeça do perigoso réptil.

            Ao ver a justiça alcançando cobras, lagartos e outros predadores já enjaulados, não posso deixar de relacionar tudo isso com a soberania, domínio e poder de Deus. A Bíblia mostra claramente que Deus realiza e revela Seus propósitos na história da nações. É o que vemos  no Êxodo, onde aprendemos que realmente “o homem não prevalece pela força.” (1Samuel 2.9). Por algum tempo, Deus deixou Faraó pensar que estava no controle da situação. Puro engano. O Rei da Nações, o Soberano dos Reis da Terra, o SENHOR  dos Exércitos, o Eu Sou, estava mantendo tudo sob controle, usando a própria arrogância do rei para cumprir os Seus propósitos. Ao longo da história, Faraó zomba do SENHOR e dos Seus servos, quebrando sua promessa de libertação sucessivamente. Mas ao anunciar a sétima praga, Deus explica por que Ele ainda está permitindo que Faraó tenha a impressão de controle: “Pois já eu poderia ter estendido a mão para te ferir a ti e o teu povo com pestilência, e terias sido cortado da terra; mas, deveras, para isso te hei mantido, a fim de mostrar-te o meu poder, e para que seja o meu nome anunciado em toda a terra.” (Êxodo 9.15,16).

            Mesmo correndo risco de ser taxado de ‘alarmista’ espiritual, tenho a plena convicção de que a agitação em Brasília está mobilizando as regiões celestiais. Os profetas do SENHOR, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel e os outros, todos dirigiram mensagens às nações, indicando que os olhos do SENHOR estão sobre todos os povos. O levantamento e queda dos grandes impérios da história foram antecipados pela profecia. Tais profecias serviam para renovar as esperanças dos servos de Deus, ao tentarem mostrar que a mão de Deus não estava encolhida, mas continuava estendida, agindo sobre a terra. Sabemos que Deus muda Sua forma de agir e se expressar, e hoje não estamos mais recebendo profecias diretas sobre fatos contemporâneos, mas Deus é o mesmo, pois “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre.” (Hebreus 13.8)
                                                                                                                                                     
Que os céus se agitam em momentos críticos da política humana, podemos comprovar por um evento ocorrido na vida do profeta Daniel, no terceiro ano do reinado de Ciro, imperador da Pérsia (Daniel 10). Daniel recebeu uma visão sobre um grande conflito, envolvendo os poderes políticos do mundo, especialmente no que dizia respeito ao povo judeu nos últimos dias. Sentindo a gravidade da revelação, Daniel passou três semanas humilhado aos pés do SENHOR, clamando por compreensão plena da mensagem, e intercedendo por seu povo. Ao fim desse período, Daniel recebe a visita do anjo do SENHOR, enviado para lhe trazer a resposta a suas orações. O Anjo lhe fez saber que há uma relação direta entre os destacados poderes políticos humanos e a ação dos anjos nas regiões celestes. Daniel ficou sabendo da existência do príncipe da Pérsia e da Grécia, seres espirituais do mal, que supervisionam esses respectivos territórios. No caso específico de Daniel, o Anjo que lhe apareceu demorou três semanas, por causa da batalha intensa que teve que travar nas regiões celestes, a fim de chegar até Daniel com a resposta a suas orações.

Como a Pérsia e a Grécia, nossa nação também não passa despercebida nas regiões celestes, pois tem grande importância na estratégia dos poderes espirituais que agem sobre os povos. O Brasil é uma nação incrível, um país singular, atraente, vibrante, rico e amado... um ‘gigante pela própria natureza.’ Desde o nosso descobrimento, e através da nossa incrível e desencontrada história, vemos a mão do SENHOR estendida sobre esse ‘país tropical, abençoado por Deus.’ A mistura maravilhosa de índio, branco e negro criou um povo ímpar: adaptável, flexível, alegre, hospitaleiro, inteligente, emotivo. Mas, enquanto vemos a mão de Deus agindo ao longo da história do Brasil, forjando-nos pela Sua graça para sermos o que somos, é também óbvio que o príncipe deste mundo (2 Cor. 4.4), o pai da mentira, pondo em ação sua nefastas forças espirituais do mal (Ef. 6.12), através de homens revestidos com a astúcia da Antiga Serpente (Apocalipse 12.9), têm lutado com todo empenho, para fazer do Brasil um covil de malignidade e oposição aos bons propósitos de Deus.

            Estudando a Bíblia, a história e os desmandos que hoje presenciamos, há muito tenho perguntado ao SENHOR como o Brasil iria sobreviver aos claros ataques do Inimigo. Há mais de uma década iniciou um projeto bem bolado de uma ‘ditadura branca’, que seria instaurada não pelas armas, mas pelo voto. Esse projeto vem sendo elaborado e maturado há décadas. Seu articuladores agiram com a sutileza, própria dos animais peçonhentos. Foram persistentes, determinados, calculistas. Por muito tempo, o brasileiro tinha medo desse projeto de domínio. Mas, no vácuo de liderança digna, a proposta populista foi sendo vendida à população, até que, segundo diziam, a ‘esperança venceu o medo.’ Instalaram-se no poder e foram aos poucos estendendo seus tentáculos sobre todos os poderes, com o fim de estabelecer a tão sonhada ditadura. Até que, por meios inesperados, o edifício começou a ruir, chegando ao ponto do governo enfrentar um processo de impeachment.             

            Enquanto consideramos o cenário político, surge a persistente pergunta: E se a presidenta Dilma for retirada, o Brasil se livra do mal? Claro que não. Não serei ingênuo de achar que o impeachment vai resolver os problemas do Brasil, mesmo porque o seu substituto já é, em si mesmo, um problema. Mas uma coisa não anula a outra. Se existe base legal para a consumação do processo, a presidenta deve ser responsabilizada, independente de quem esteja na sucessão. A justiça deve ser feita, mesmo que favoreça uma pessoa indigna. A seu tempo, a justiça também lhe alcançará.

            Não vibro, nem faço campanha pelo impeachment. Mas me alegro demais à medida que vejo a mão de Deus se movendo em nossa direção, renovando a esperança de que não seremos engolidos pelo mal, quando parecia que nada mais se podia fazer. Os eventos do últimos dias nos deixam certos de que ainda não fomos abandonados pelo Rei dos Reis, pois mesmo que numa dose limitada, a justiça ainda funciona.

            Quando o profeta Jonas se ressentiu com a misericórdia de Deus sobre a cidade de Nínive, o Senhor respondeu ao profeta amargurado: “...não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?” (Jonas 4.11)
Se o SENHOR pensou em 120 mil ninivitas, como Ele deixaria perecer essa nação com mais de 200 milhões, que através dos séculos vem sendo preparada para ser uma bênção em toda terra? O SENHOR não vai nos abandonar.
 
            Deus te abençoe, meu Brasil. Conte com as minhas orações, meu amor e minha incessante luta, para que sejas livre pelo verdade do Evangelho e leves essa liberdade para todas as nações.

            A serviço do Mestre,
            Pr. Jenuan Lira
           

           


sexta-feira, 8 de abril de 2016

A TRISTE IGNORÂNCIA DA SABEDORIA HUMANA

É tristemente engraçado ver um descrente falando das suas crenças. Sem saber como se posicionar diante da Verdade eterna, o incrédulo julga-se superior e livre, porque decidiu crer na descrença. Tal postura cabe bem nas palavras do apóstolo Paulo, quando discorria sobre os falsos mestres:  pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações” (1 Timóteo 1.7).

            Há pouco, me deparei com um texto escrito por um professor agnóstico, dos Estados Unidos. Fui atraído imediatamente pelo título curioso: Deus é uma pergunta, não uma resposta. O propósito do autor é mostrar a fraude de todas as certezas e crenças, especialmente a dos que se dizem certos de que Deus existe.  Quem tem tal certeza, diz o professor, está revelando um espírito presunçoso, irredutível e arrogante. Afinal, se Deus existe e é um Deus de amor, como dizem os cristãos, Ele jamais irá exigir certeza acerca de Si mesmo. Isso seria uma exigência impossível, pois não podemos jamais chegar ao pleno conhecimento da realidade, nem sobre Deus, nem sobre qualquer outro possível fato. Esse é o fundamento agnóstico: ninguém pode ter certeza, pois para estar certo, o homem precisa se apropriar de verdades absolutas, supostamente alcançadas pelo conhecimento. Mas visto que o conhecimento autêntico é inalcançável, a porta da certeza permanecerá sempre fechada à humanidade.

            Lendo o dito professor de filosofia, não tive como não me lembrar das palavras do apóstolo Paulo: Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo...” (Colossenses 2.8). O termo enredar, usado no Novo Testamento somente nessa passagem, vem de um vocábulo grego que significa ‘levar cativo, ou tomar como presa’. E devo confessar que precisei ler várias vezes e considerar atentamente as entrelinhas do texto, a fim de não ser eu mesmo levado cativo pelo jogo interessante do raciocínio filosófico. E olhem que eu já sou um ‘velho’ às portas de completar meio século de vida (... é o novo??), com vinte e cinco anos de intenso estudo e ensino da Palavra, tendo lido toda a Bíblia pelo menos 40 vezes; sem contar que, mesmo antes de assumir o pastorado, já me ocupava no estudo e transmissão da Bíblia. Enquanto lutava com o texto, pude sentir, uma vez mais, a força da sedução intelectual envolvida na isca de um raciocínio bem elaborado. Uma vez mais ficou claro quão escorregadio é o caminho da ‘sabedoria’ humana, pavimentado pelas chamadas ‘contradições do saber’(1 Timóteo 6.20).  O raciocínio humano seduz pelo que diz, e aprisiona pelo que não diz. A conclusão? Todos podemos ser enredados. A sanidade mental de qualquer pessoa depende da graça de Deus, que, por meio da iluminação Seu Espírito, faz raiar a luz da Revelação nas trevas da nossa alma.
 
            Uma vez livres da armadilha, aos poucos, podemos perceber o raciocínio falacioso do agnosticismo. A conversação poderia ir na seguinte direção: “Então, senhor agnóstico, é impossível ter certeza de qualquer coisa? O senhor pode me explicar como tem certeza disso...? O senhor está me dizendo, com certeza, que não se pode ter certeza?”.  Nesse ponto, revela-se o problema da inconsistência no raciocínio. Na verdade, quando as ideias não batem com a realidade, o raciocínio gira em círculo; e o pensador, com todo respeito, se assemelha ao cachorro tentando pegar o próprio rabo. Dizendo de outro modo: O agnosticismo, para ser verdadeiro, tem que negar a si mesmo, pois terá que defender a certeza da incerteza. Novamente isso nos leva a Paulo, que diz: “...se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo” (2 Timóteo 2.13). Deus não nega a Si mesmo, porque Ele é real.

            Para ser bem claro quanto ao pensamento do professor, ele não tem coragem de negar diretamente a existência de Deus, mas declara que, se Deus existe, é impossível conhecê-lo. Por isso, ‘Deus é uma questão, não uma resposta’, como está no título do texto. Tendo tal crença, o autor não mede palavras para mostrar sua apreciação e reverência pelo “deus dúvida”. Sem cerimônia, o autor se curva perante a incerteza e presta tributo à dinâmica da busca eterna, que não espera chegar a lugar nenhum. Em suas próprias palavras, a dúvida é permanente, as respostas são temporárias’. E para mostrar que está em boa companhia, o professor cita Herman Melville, de quem foi dito: “Ele nem consegue crer, nem fica confortável com sua descrença, sendo suficientemente honesto e corajoso para não tentar fazer nem uma coisa nem outra”. Pode até ser honesto, mas é desesperador. Admiro a honestidade para assumir sua dificuldade de crer, mas reprovo a resignação humanista que faz o incrédulo deixar por isso mesmo.

            Já que estamos falando de sabedoria e conhecimento, que tal chamar Salomão para participar do debate? Além de ser conhecido como o homem mais sábio da história humana, Salomão também tentou vencer as incertezas existenciais, usando sua própria capacidade investigativa. O livro de Eclesiastes é o testemunho dessa busca. O famoso rei de Israel decidiu se lançar à aventura de desvendar a teoria do todo, querendo encontrar razão e sentido que pudessem abranger a realidade em suas múltiplas facetas. Na sua busca filosófica, Salomão estava pronto a lançar mão de qualquer possiblidade, desde que Deus ficasse fora da equação. E assim o fez, somente para fechar sua pesquisa com a triste constatação: “Banalidade de banalidade... tudo é vazio”. Em Eclesiastes, Salomão é um homem que despreza as certezas reveladas, pois deseja estabelecer a sua verdade. Ele não quer ser um ‘tolo’, para aceitar as certezas divinas. Ele se julga sábio demais para depender de Deus.

            Salomão não chega a lugar nenhum, à parte de Deus, mas o registro da sua angústia é instrutivo. Por exemplo, ele afirma que o espírito curioso do homem é dado por Deus, para que o homem reconheça sua limitação e volte-se para o Criador. Em 1:13, Salomão diz que Deus coloca sobre o homem o enfadonho trabalho de esquadrinhar a realidade, apenas para descobrir que Aquilo que é torto não se pode endireitar; e o que falta não se pode calcular” (Eclesiastes 1.15). Dessa maneira, cansado de correr sem chegar a lugar nenhum, o homem sensato se humilha e diz: “Tudo bem, SENHOR. Eu me rendo. Estou pronto para seguir o Seu caminho, pois o meu não deu em nada... gastei meus esforços correndo atrás do vento”.

            Se os ‘fortes’ deste mundo querem continuar se deleitando na ‘doçura da dúvida’, que o façam. Eu não tenho essa força, nem quero ter. Da minha parte, está resolvido: para todos os dilemas, perplexidades e anseios existenciais, Deus é resposta. Se isso não satisfizer os inteligentes deste mundo, só tenho uma outra alternativa: Deus de novo!!

            A serviço do Mestre,

            Pr. Jenuan Lira.