terça-feira, 1 de março de 2011

GRATIDÃO PELA VITÓRIA

Quando deixei a Vitória na escola, estava tudo bem. Sadia e feliz. Era seu terceiro dia de instruções na nova escola, onde deveria ser repetido o rigoroso ritual militar dos dois dias anteriores, que estranhamente, ela estava curtindo muito: aprender (e obedecer) comandos, reconhecer patentes, prestar continência, identificar a companhia, aprender as normas e códigos e treinar para a primeira formatura. Sem falar nas boas horas de palestras e marcha. Chegava em casa morta, ameaçando com a autoridade que ela pensa que tem: “Mamãe, estou morta... nós vamos denunciar às entidades protetoras das crianças”. Luta para as crianças, e luta para os oficiais que, aos gritos de comando, tentam tanger literalmente um bando de ‘soldadinhos’ pelas alamedas do velho colégio militar. Só lhe incomodava os gritos do comandante da companhia: “Eles pensam que somos surdos”.
Apesar de tudo, lá estava ela pronta e animada para mais um dia de disciplina marcial. A novidade da escola, os novos amigos e até mesmo essa face carrancuda da vida militar causam certo fascínio nos novos alunos. Era visível como ela estava animada e disposta, mesmo tendo que levantar pouco depois das 5:00h da manhã. Assim, deixei-a para sua “nova batalha” e sai, sem saber que dentro de pouco tempo o médico nos telefonaria: “Por favor venham aqui... A Vitória desmaiou enquanto estava em forma”.
O programa semanal mudou radicalmente... depois de algumas horas, lá estava a Vitória confinada num quarto de hospital, e nós, os pais, sobressaltados, tentando entender as causas e querendo minimizar o tempo de internação. Quem corre para o hospital, também se esforça para correr do hospital. Mas nem sempre é tão rápido como gostaríamos. Após a primeira noite, com a expectativa de sair e fazer exames em outro lugar, recebemos a notícia de que era preciso ficar mais um dia. Deus foi bondoso em nos colocar na mesma enfermaria com um garoto de uma família cristã, pelo que ficamos muito gratos. Mesmo, assim, nosso desejo era vê-la liberada o mais breve possível. Assim, após mais um lonnnnnnnnnnngo dia, pela manhã recebemos permissão para sair.
Passada a euforia da boa notícia, e enquanto a vida voltava ao normal, fiquei pensando em como somos rápidos para esquecer os benefícios do Senhor. Poucas horas em casa, livres do ambiente hospitalar, e já estamos acostumados, sem levar em consideração a grande vitória que Deus nos deu. É como se a saúde, a tranquilidade e o conforto do lar fossem tidos por certos, e não um presente da bondosa mão do Senhor. Eis por que falhamos em ser constantemente gratos pelas bênçãos de Deus. É verdadeiramente um pecado não elevar a Deus uma oração de agradecimento por mais uma noite em que nós e os nossos filhos dormimos em casa e com saúde. Se não lembramos de nada mais pelo que devemos dar graças, quando raiar mais um dia em casa, já temos mais uma grande maravilha para agradecer.
Se você não precisou de um hospital recentemente, não é porque você tem boa saúde, mas porque Deus lhe concedeu boa saúde. Ele é a fonte de toda boa dádiva, de cada noite em que não precisamos ir ou ficar num hospital.
Graças a Deus a vida da nossa família está voltando ao normal, pois Ele nos deu a Vitória! Uma pergunta... você agradeceu pela noite passada?

A serviço do Mestre,

Pr. Jenuan Lira.

3 comentários:

Anjinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anjinha disse...

Penso que não é preciso parar e fazer uma oração em um momento específico do dia, mas orarmos sempre que lembramos do Senhor ou de Seus cuidados para conosco. E a cada lembrança, a cada momento, podemos agradecer pelas bênçãos recebidas...agradecer por respirar, por exemplo.

Um abraço,

Vivo pela misericórdia de Deus!

Aline Lira disse...

Obrigado pelo recado, e por ensinar inglês aos meus 'soldados'. Certamente devemos orar em todo momento, mas também ter o nosso momento de oração, como fazia nosso Mestre tantas vezes.
Bênçãos,
Pr. Jenuan